GÊNERO NA EDUCAÇÃO FÍSICA, DESPORTO E LAZER - Prof. Dr. Fabiano Pries Devide


Mulheres, futebol e gênero: reflexões sobre a 

participação feminina numa área de reserva masculina

Mujeres, fútbol y género: reflexiones sobre la participación femenina en un coto masculino

Women, Football, and Gender: reflexions about the feminine participation in a male reserve arena

 

*Licenciada em Educação Física/Unisuam/RJ

Especialista FIOCRUZ/RJ

*Doutor em Educação Física, Professor Adjunto PGCAF/Universo-RJ

LEEFEL/Unisuam-RJ

Renata Silva Batista*

Fabiano Pries Devide**

fabianodevide@uol.com.br

(Brasil)

 

 

 

Resumo

          A pesquisa possui caráter qualitativo e bibliográfico, alinhando-se com os Estudos de Gênero com foco nas mulheres. O objetivo geral foi analisar como ocorreu a inserção e a participação das mulheres no futebol brasileiro, assim como o papel da mídia esportiva neste processo. Identificou-se que as mulheres jogavam futebol desde a década de 1930 no Rio de Janeiro. No entanto, por questões legais, foram proibidas de praticar a modalidade até 1979. A década de 1980 marcou o desenvolvimento do futebol feminino, que nas décadas seguintes atingiu resultados internacionais expressivos. Entretanto, são necessárias estratégias para promoção da equidade de gênero nesta modalidade, na qual mulheres ainda sofrem preconceitos.

          Unitermos:

 

Abstract

          This qualitative and bibliographic research is a gender study that focuses on women. It aims to analyze how the insertion and permanence of women in brazilian football and the function of sportive media in this process happened. We identified that women have played football in Rio de Janeiro since 1930. However, for legal issues, they were forbidden to practice this sport until 1979. The 1980 decade was marked by the development of feminine football, which in the following decades reached expressively international results. Nonetheless, strategies are needed to promote gender equity in this sport, in which women still suffer prejudice.

          Keywords

: Gender. Women. Football
Gênero. Mulheres. Futebol


Escrito por Fabiano Pries Devide às 10h27
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UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA

PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM CIÊNCIAS DA ATIVIDADE FÍSICA - PGCAF

 

III SEMINÁRIO DE PESQUISA EM CIÊNCIAS DA ATIVIDADE FÍSICA 2009

Objetivo

O III Seminário de Pesquisa do PGCAF tem sido um evento científico anual, com abrangência local. Tem por objetivo divulgar a produção científica decorrente das pesquisas realizadas no PGCAF nos níveis de mestrado, pós-graduação lato sensu e iniciação científica, que representam as linhas de pesquisa, consolidando-as e dando-lhes visibilidade, através do diálogo com demais centros de pesquisa existentes no estado do Rio de Janeiro e no país.

Data da realização: 24 e 25 de novembro de 2009

Local: Campus da UNIVERSO – Niterói.

Inscrições: secretaria do PGCAF – taxa de inscrição: Aluno da UNIVERSO: R$ 10,00; Alunos de outras IES: R$ 15,00 e Profissionais: R$ 20,00.

End.: Rua Marechal Deodoro, nº 211, 7º andar, Bloco A, Centro, Niterói, Cep 24030-060.

 

Comissão Científica:

Prof. Dr. Fabiano Pries Devide (UNIVERSO/UNISUAM)

Prof. Dr. Marcos Santos Ferreira (UERJ)

Prof. Dr. Paulo Farinatti (UNIVERSO/UERJ)

Prof. Dr. Renata Sá Osborne  (UNIVERSO)

 

Comissão Organizadora

Prof. Dr. Fabiano Pries Devide (UNIVERSO/UNISUAM)

Prof. Dr. Roberto Ferreira dos Santos (UNIVERSO)

Prof. Dr. Renata Sá Osborne  (UNIVERSO)



Escrito por Fabiano Pries Devide às 16h34
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NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DOS TEMAS-LIVRES

Os trabalhos poderão estar concluídos ou em andamento, sendo apresentados como “resumos” ou “resumos expandidos”, até 16de novembro 2009.

Formatação do trabalho:

Texto com até 2.000 (dois mil caracteres) para “resumos” e no máximo até 8.000 (oito mil) caracteres para “resumos expandidos”, incluindo-se os espaços, as notas e as referências.

O trabalho deverá contemplar os seguintes quesitos: ser composto por um arquivo no padrão Word 6.0 for Windows (ou superior); papel A4; todas as margens 2,5 cm; fonte Arial, tamanho 12, espaço 1,5.

Apresentar: Título em caixa alta, centralizado; dois espaços abaixo deve(m) vir o(s) nome(s) do(s) autor(es), seguido(s) da titulação, instituição e órgão financiador (se for o caso), alinhados à direita; dois espaços abaixo deve vir o resumo em português, com o máximo 2000 caracteres (para “resumos”). No caso de “resumos expandidos”, após o título, nomes dos autores e instituição, devem vir os elementos textuais e referências bibliográficas.

Endereço para inscrição dos trabalhos: pgcaf@nt.universo.edu.br



Escrito por Fabiano Pries Devide às 16h34
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PROGRAMAÇÃO

 

24/11/2009

Retirada de material: 8:00h

Cerimônia de Abertura: 8:30h

Prof.Dr.Roberto F.dos Santos (UNIVERSO) e Prof. Dr. Marcio Dutra Pró-Reitor de Pesquisa UNIVERSO

 

Conferência de Abertura: Auditório do NPJ – 9:00h

Prof. Dr. Lamartine Pereira da Costa (UGF) Novas Fronteiras da Metodologia da Pesquisa na EDF e Esportes

 

Mesa-redonda I: 10:30h-12:00h

                                  

BIOMECÂNICA E GERONTOLOGIA

Prof. Dr. Carlos Gomes (PGCAF/Universo)

Prof. Dr. Jonas Lírio Gurgel (UFF)

Secretário:  Mdo. Gabriel Trajano

 

Mesa-redonda II: 10:30h-12:00h

ADMINISTRAÇÃO ESPORTIVA

Prof. Dr. José Mauricio Capinussú (PGCAF/UNIVERSO)

Prof. Dr. Eduardo Villela (UFF/RJ)

Secretário: Paulo Henrique Bordetti

 

ALMOÇO

 

Apresentação de TEMAS-LIVRES: 14:00h-16:40h

 

Mesa-Redonda III: 17h

ASPECTOS BIODINÂMICOS DA ATIVIDADE FÍSICA

Mdo. Rafael Ronchetti, Mdo. Vitor Lupi, Mdo Leandro de Aquino, Mdo. Gabriel Trajano

Mediador:  Prof. Dr. Pedro Paulo da Silva

 

Mesa-Redonda IV: 17h

ASPECTOS SOCIOCULTURAIS DA ATIVIDADE FÍSICA

Mdo. Elza Rosa da Silva, Mdo. Jacques Araújo Neto, Mdo. Paulo de Tarso, Mdo. Renato Callado

Mediador:  Prof. Dr. Fabiano Devide

 

ENCERRAMENTO DAS ATIVIDADES: 18:30h



Escrito por Fabiano Pries Devide às 16h34
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25/11/2009

Mesa-Redonda V: 9:00h

DESPORTO MASTER E VETERANOS

Prof. Dr. Alfredo Gomes de Faria Júnior (PGCAF-UNIVERSO)

Prof. Ms. Waldyr Mendes Ramos (EEFD/UFRJ)

Secretário:  Mdo. Marcelo Terra

 

Mesa-Redonda VI: 9:00h

FUTEBOL E SOCIOLOGIA: Questões atuais sobre a violência no futebol

Prof. Dr. Mauricio Murad (PGCAF/UNIVERSO)

Prof. Dr. Roberto Ferreira dos Santos (PGCAF/NIVERSO)

Secretário: Mdo. Rafael Mocarzel.

 

LANÇAMENTO DE LIVROS: Hall do Sétimo andar - 10:30h

Livros dos professores do programa

 

ALMOÇO

 

Apresentação de TEMAS-LIVRES: 14:00h-16:40h

 

Mesa-Redonda VII: 17:00h

ESPORTE E REDES SOCIAIS

Prof. Dr. Carlos Alberto Figueiredo (PGCAF-UNIVERSO)

Profa. Dra. Renata Sá Osborne (PGCAF-UNIVERSO)

Secretário: Mdo. Paulo de Tarso Simões

 

Mesa-Redonda VIII: 17:00h

FISIOLOGIA E EXERCÍCIO

                               Prof. Dr. Pedro Paulo da Silva (PGCAF-UNIVERSO)

                               Prof. Dr. Roger Melo (ESCOLA NAVAL)

                               Secretário: Mdo. Rafael Ronchetti

 

ENCERRAMENTO: 18:30h

 

 



Escrito por Fabiano Pries Devide às 16h33
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Boxe Feminino do Brasil é campeão Pan-americano

http://esporte.uol.com.br/boxe/ultimas/2009/10/09/ult4358u553.jhtm

Além de atentar para o investimento nos esportes individuais, com vistas à conquista de medalhas em 2016, nos Jogos Olímpicos do Rio, o Comitê Olímpico Brasileiro e os patrocinadores deveriam investir no esporte feminino do Brasil, sobretudo em modalidades onde há pouca tradição feminina, como o boxe, onde as chances de medalhas são maiores. Alguns países que investiram no esporte feminino - como a China, por exemplo - tornaram-se potências e passaram a se destacar no cenário mundial, principalmente, por suas mulheres atletas. O Brasil precisa de investimento pesado no que diz respeito ao esporte feminino, sobretudo individual, se quiser ampliar o seu quadro de medalhas e disputar os Jogos com países que já possuem programas pioneiros de incentivo e apoio - inclusive legal, como os Estados Unidos - ao desenvolvimento do esporte entre as mulheres.



Escrito por Fabiano Pries Devide às 14h09
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Futebol, Identidades e Homofobia

Apesar da inserção das mulheres na prática do futebol no Brasil, esta modalidade ainda se constitui em  área de reserva masculina, tanto no que se refere aos praticantes, quanto aos dirigentes e aqueles que trabalham na mídia esportiva que realiza a cobertura dos jogos e campeonatos. Da mesma forma, a prática do futebol atua como um ritual de passagem quase obrigatório na construção da identidade masculina dos meninos nas aulas de Educação Física escolar. Nesse contexto, aqueles que não apresentam prazer em praticá-lo ou não apresentam habilidade motora para jogar tendem a ser discriminados pelos demais colegas em termos de sua identidade sexual, conforme indica a literatura dos estudos de gênero com foco no binômio inclusão/exclusão na Educação Física escolar. Tais aspectos precisam ser refletidos pelos profissionais de Educação Física, para que possamos discutir fatos como o recente depoimento do técnico da equipe de futebol profissional do Goiás: "-Não trabalho com homossexuais, trabalho com homem" > http://oglobo.globo.com/blogs/bolademeia/posts/2009/09/17/frase-do-dia-helio-dos-anjos-224138.asp

 



Escrito por Fabiano Pries Devide às 10h41
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Resumo da palestra apresentada na mesa-redonda realizada no I Encontro do NESPEFE: Corpo e Educação Física, ENEFD/UFRJ, 10.09.09.

O EXERCÍCIO FÍSICO NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DE GÊNERO: POR UMA MASCULINIDADE PLURAL

Fabiano Pries Devide[1]e Renata Silva Batista[2] 

A produção acadêmica sobre Gênero e Esporte na última década reflete a emergência desta nova temática na Educação Física brasileira (Romero, 1995; Votre, 1996; Saraiva, 1999; Simões, 2003; Júnior, 2003; Goellner, 2003; Simões e Knijnik, 2004; Devide, 2005). No entanto, a tendência dos estudos tem sido focalizar as mulheres, constituindo uma sub-representação dos estudos sobre a masculinidade na interface com o gênero (Fraga, 2000; Gonçalves, Munarin, Gonçalves, 2002), como já ocorre na América do Norte e Europa (Dunning, 1992; Messner, 1992, 1994; Pronger, 1992; Dunning, Maguire, 1997). Pressupõe-se que o exercício físico e o esporte têm sido elementos importantes na construção da masculinidade no homem moderno, a partir das modificações que proporcionam em sua saúde, notadamente, na estética corporal, através de anatomias masculinas contemporâneas. Neste contexto, o estudo interpreta a mídia - especificamente dirigida ao público masculino - como uma via de construção de representações sobre a masculinidade ancorada no corpo do homem. A pesquisa tem por objetivo investigar qual o papel do exercício e do esporte na construção da masculinidade contemporânea, que se apresenta multifacetada e em crise (Lisboa, 1998), utilizando o gênero como uma categoria relevante de análise (Scott, 1995). O corpus documental da pesquisa é constituído pelas doze primeiras edições da Revista masculina Men’s Health (maio de 2006-abril de 2007)[3][3]. A análise dos dados está organizada nas seguintes etapas: Pré-análise, com leitura exploratória das edições; análise iconográfica das capas das doze edições; e análise de conteúdo das matérias sobre exercício físico e esporte nas doze edições. Como referenciais teórico-metodológicos para a análise e a interpretação das fontes, utilizamos a Análise de Conteúdo (Bardin, 1995) e a Iconografia (Eco, 1997; Kossoy, 2001; Bauer, Gaskell, 2004; Ciavatta, Alves, 2004; Santaella, Nöth, 2005). Os resultados apontam que o periódico é dirigido ao público masculino, adulto, branco, heterossexual e economicamente favorecido. O elemento icônico central das capas é representado pelo corpo masculino ideal, cuja musculatura é a protagonista de uma anatomia de consumo (Fraga, 2000); enquanto entre os elementos textuais, as manchetes sobre exercícios físicos são destaques. A análise do conteúdo interno permite inferir que as matérias apresentam como principais pautas: o exercício físico, o sexo, a saúde, a alimentação, a psicologia, a moda e a beleza, com o objetivo de que o homem contemporâneo alcance bem-estar e qualidade de vida. A análise do conteúdo possibilitou a identificação de duas categorias centrais: a Masculinidade Hegemônica, em matérias que valorizam aspectos como poder, trabalho, competição, dominação masculina e superação; e Outras Masculinidades, em matérias que abordam conteúdos relacionados, entre outros, às dicas de beleza, moda, bem-estar e aspectos afetivos. A análise das matérias sobre o exercício físico, identificou que o mesmo ancora elementos relacionados à masculinidade hegemônica, como a aptidão física, a tolerância à dor, o machismo, a heterossexualidade; e também relacionados às outras masculinidades, como a preocupação estética. Concluímos que a Men’s Health, como uma mídia direcionada ao público masculino, vem contribuindo para a construção de uma masculinidade plural, composta tanto por elementos tradicionalmente associados à masculinidade hegemônica, como a imagem de um corpo fisicamente apto, musculoso, “sarado”, “ideal”; como por novos elementos incorporados ao cotidiano dos homens, tais como a preocupação com a beleza, representando mudanças e o diálogo com outras masculinidades.



[1] Professor Adjunto do PGCAF-Universo/RJ e da UNISUAM/RJ. Coordenador do Grupo de Pesquisa Gênero e Mulheres no Esporte/CnPQ.

[2] Licenciada em Educação Física/Unisuam-RJ.

[3] Este periódico foi editado pela Rodale, nos Estados Unidos, há 18 anos. É publicado em 41 países, com mais de 16 milhões de leitores. Recentemente foi publicado no Brasil pela Editora Abril em maio de 2006, com tiragem inicial de 100 mil exemplares.



Escrito por Fabiano Pries Devide às 00h15
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Discurso de professor Patrono - Unisuam - Turma 2009.1

Ilmo Sr. Reitor, coordenação do curso de Licenciatura em Educação Física, professores homenageados, pais e amigos presentes, caros/as formandos/as, bom dia.

 Foi com satisfação que recebi o convite para ser patrono da turma 2009.1.

 Gostaria de prestar homenagem a todos/as aqueles/as que de alguma forma participaram desta escolha.

 Tenham certeza de que não há nada mais gratificante para um educador manter suas visões de sociedade, educação e educação física, do que o reconhecimento por parte de seus alunos/as. Desde já o meu carinho por todos/as.

 O curso de graduação acabou, mas a formação de um educador comprometido com a mudança social deve ser continuada.  "Mudança". Esta palavra é urgente quando pensamos na educação brasileira. Sobretudo, na estrutura desigual existente entre a educação pública e privada, que historicamente tem desempenhado um papel reprodutor das desigualdades entre classes na nossa sociedade.

 Neste contexto, como tanto refletimos em nossas aulas, a Educação Física escolar tem servido aos interesses históricos de instituições que utilizaram nossos conteúdos, sobretudo o esporte, como ferramentas de exclusão, hierarquização, seleção e eugenização do povo brasileiro.

 Hoje, a ingenuidade da Educação Física dos anos 1970 não existe mais. No entanto, a produção do conhecimento científico, teoricamente ancorado na realidade social, ainda não vem convergindo com os portões das escolas, pois seus docentes tendem a abandoná-lo ao longo de sua trajetória profissional, vencidos pelas dificuldades de ensinar. Neste aspecto, eu sempre me questiono se estes que abandonam a sua função mais nobre, têm consciência de seu papel social enquanto educadores.

 O abismo entre a realidade da produção acadêmica da Educação Física e a prática pedagógica do seu porta voz, o professor, só acabará quando profissionais como vocês, que estão concluindo uma etapa, desenvolverem uma consciência crítica de seu papel enquanto agentes de mudança, com função primordial na construção da consciência de classe das crianças e adolescentes que passam pelos bancos escolares e que têm sido mantidos à margem de uma educação de qualidade neste país.

 Precisamos de educadores que queiram continuar aprendendo ao longo se sua trajetória profissional, a partir da relação com os seus alunos/as e da reflexão constante sobre a sua prática pedagógica, sempre ancorada na realidade social na qual lecionam. Nunca esqueçam da escolha que fizeram quando optaram por serem professores numa sociedade em que a educação tem sido tão desvalorizada. Não abram mão de suas convicções em função de baixos salários, dificuldades estruturais e sociais que irão encontrar.

 Um educador verdadeiro precisa ser capaz de construir sua prática pedagógica a partir da problematização desta realidade contraditória e desigual na qual a instituição escolar está inserida.

 Lembrem - sempre - que se vocês trabalharem motivados intrinsecamente por um sentimento de prazer e compromisso com os seus alunos/as, estas dificuldades servirão de meio para que atinjam o objetivo final: fazer com que uma criança, a partir da convivência de mais de dez anos com os conteúdos de ensino da Educação Física, seja capaz de olhar o mundo com autonomia e menos ingenuidade, afim de que possa ser agente e perpetuar aquilo que vocês começaram a fazer nas suas aulas: promover a mudança.

 Não se esqueçam de uma coisa: conhecimento é liberdade. Sejam curiosos, sejam sonhadores, façam o melhor que puderem se quiserem mudar a linguagem da sua área e promoverem mudanças no cenário atual.

 Mais uma vez obrigado pelo convite e pela possibilidade de me fazer presente - na minha ausência - nesse momento importante na vida de cada um de vocês. Que eu possa reencontrá-los em breve. Prof. Fabiano Pries Devide.



Escrito por Fabiano Pries Devide às 14h52
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Sexualidade, esporte, mulheres

Sexualidade em debate no atletismo feminino mundial ofusca o brilho da vitória e da performance atlética de mulheres no esporte.

http://oglobo.globo.com/esportes/mat/2009/08/20/duvidas-sobre-sexualidade-de-sul-africana-tiram-brilho-de-vitoria-nos-800m-757488422.asp



Escrito por Fabiano Pries Devide às 14h06
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Construindo a Igualdade de Gênero - CNPq

Premiação do quarto prêmio "Construindo a Igualdade de Gênero" em Brasília > http://www.cnpq.br/saladeimprensa/noticias/2009/0625.htm



Escrito por Fabiano Pries Devide às 13h17
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GENDER AND SPORT: A READER

SCRATON, S. & FLINTOFF, A. Gender and Sport: a reader. London/New York: Routledge, 2002.

http://books.google.com.br/books?id=nDX6hCQjKKUC&dq=%22gender+and+sport%22&printsec=frontcover&source=bl&ots=-4vCBFJp0D&sig=F6sAnXtaDqDWxgJ9Izce8ynxZUw&hl=pt-BR&ei=RJsYSrehINGJtgfr8qDeDA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=3#PPP1,M1



Escrito por Fabiano Pries Devide às 22h02
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Dossiê Homofobia e Educação nos livros didáticos

Dossiê 'Homofobia e Educação nos livros didáticos' (Revista Psicologia Política - UFMG).

http://www.fafich.ufmg.br/rpp/seer/ojs/viewissue.php



Escrito por Fabiano Pries Devide às 11h51
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Desmistificando a relação causal identidade de gênero-identidade sexual no esporte

Caros/as leitores/as, uma das discussões inerentes aos estudos de gênero tem sido a crítica à relação linear da sociedade heterossexista sobre a relação sexo biológico-identidade de gênero-identidade sexual. Judith Butler (2003), em sua obra "Problemas de Gênero: femininsmo e subversão da identidade" aborda a questão com maestria. É quando homens e mulheres rompem tal linearidade que presenciamos o preconceito nas práticas sociais cotidianas. Neste contexto, o esporte, sobretudo aqueles de reserva masculina, despertam o medo nos pais de meninas que os praticam e apresentam habilidades para se tornarem grandes atletas. O maior receio é que a prática destas modalidades determinem a identidade sexual de suas praticantes. Há mais de uma década, estudos de gênero no esporte realizados em países europeus (CAHN, 1995) e norte-americanos (GRIFFIN, 1998), têm abordado a equação sexualidade-prática esportiva-identidades e encontrado que mulheres lésbicas tendem a escolher modalidades de reserva masculina por serem um espaço de socialização entre iguais, onde não precisam encobrir suas verdadeiras identidades. O estudo de Raquel Silveira -  vide resumo abaixo - encontra dados similares. Cabe aos profissionais de Educação Física problematizarem tais questões em suas aulas, nos diversos espaços de atuação, visando a desmistificação de tais representações que tendem a perpetuar barreiras para inserção de homens e mulheres em modalidades interpretadas como opostas aos seus gêneros.
Indicações de leitura: BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilizaçao Brasileira, 2003. GRIFFIN, P. Strong women, deep closets: lesbians and homophobia in sport. Champaign: Human Kinetics, 1998. CAHN, S. K. Coming on Strong: gender and sexuality in twentieth-century women's sport. London: Harvard University Press, 1995.
Esporte, homossexualidade e amizade : estudo etnográfico sobre o associativismo no futsal feminino
Raquel da Silveira
http://biblioteca.universia.net/ficha.do?id=38074626
Neste estudo, me propus a discutir o associativismo esportivo de mulheres em esportes que são ditos masculinos. Para tanto, optei em fazer uma investigação etnográfica em um time de futsal feminino da cidade de Porto Alegre. Realizei 51 idas a campo (treinos, jogos oficiais e atividades extraquadra) e dezessete entrevistas. A equipe investigada era formada por dezessete jogadoras, um técnico e sete pessoas que a acompanham sistematicamente. As praticantes, com idades entre dezesseis a 41 anos, tinham características sócio-econômicas heterogêneas. Como o associativismo é um conceito que remete à sociação de pessoas para determinado fim, surgiu-me um questionamento: como e porque mulheres se associam para praticar um esporte socialmente considerado masculino? Constatei, então, a partir das observações feitas, que três aspectos eram os principais para que o associativismo estudado fosse mantido, a saber: o esporte, a homossexualidade e a amizade. O esporte, nesse time, apresentava características muitas vezes vistas como opostas, mas que nele se tornaram complementares: brincadeira e seriedade; lazer e trabalho, utilidade lúdica e utilidade pública, valor de uso e valor de troca. Em relação à categoria “homossexualidade”, identifiquei três aspectos importantes: o gerenciamento da visibilidade da opção homossexual por parte das pesquisadas dentro e fora do universo do futsal; um tipo de feminilidade sendo objeto de distinção entre a equipe investigada e outras equipes da grande Porto Alegre; o futsal como um espaço de lazer para as mulheres homossexuais em questão. Na discussão da categoria amizade, realizei uma análise que mostrou aproximações e distanciamentos das informações obtidas nesta pesquisa com estudos do campo da filosofia, com foco nesse tema. Verifiquei, ainda, que as relações de amizade nesse time eram duradouras, e, em certa medida, proporcionam uma ascese aos indivíduos. Para finalizar, destaquei que a principal contribuição trazida por este estudo foi a riqueza das informações empíricas – obtidas através da etnografia – que tiveram a capacidade não só de surpreender como, também, de desestabilizar saberes, muitas vezes, nem questionados.



Escrito por Fabiano Pries Devide às 21h48
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Polêmica em relação aos maiôs de natação para homens e mulheres

EQUIPAMENTOS: SUECA RECLAMA DE REGRA "SEXISTA" PARA OS MAIÔS - Nadadora diz que traje deixa parte íntima à mostra

 

http://www.swimitup.com.br/noticias.php?id=43970



Escrito por Fabiano Pries Devide às 12h15
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RBCE v. 30

Divulgo abaixo artigo publicado em co-autoria na revista Brasileira de Ciências do Esporte (RBCE), v. 30, n. 2, 2009.

LINGUAGEM DISCRIMINATÓRIA E ETNOMÉTODOS DE EXCLUSÃO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

Carlos Alberto Figueiredo da Silva, Fabiano Pries Devide

Resumo: O objetivo deste estudo foi mapear as representações de alunos do sexto ano do ensino fundamental de uma escola privada localizada no município do Rio de Janeiro sobre as metáforas discriminatórias utilizadas por eles na exclusão dos colegas que desviam dos padrões estabelecidos pela turma no contexto das aulas de educação física. O estudo permite avaliar as representações de discentes em relação ao processo de exclusão contumaz e cristalizado no cotidiano escolar, oferecendo recursos para que os profissionais de educação física reflitam sobre a ação pedagógica, no sentido de atender aos princípios da inclusão, com a valorização e o respeito às diferenças.

Para ler o artigo na íntegra, acesse: http://www.rbceonline.org.br/revista/index.php/RBCE



Escrito por Fabiano Pries Devide às 14h27
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16º Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte - CONBRACE

http://www.conbrace.org.br/

CONBRACE / CONICE

 

O 16º Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte - CONBRACE é um evento científico de periodicidade bienal. Constitui-se no maior evento do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE) e é considerado um dos mais importantes congressos dentre as sociedades cientificas da área. O CBCE, entidade científica filiada à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), congrega pesquisadores e estudantes provenientes de diferentes áreas do conhecimento e campos acadêmicos e que possuem em comum o interesse no desenvolvimento da Educação Física, das Ciências do Esporte e Estudos do Lazer.

Este evento consolidou-se, tanto no cenário nacional quanto latino-americano em decorrência do rigor cientifico dos seus eventos e da credibilidade construída ao longo dos 30 anos do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.

O Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte (CONBRACE) na sua décima sexta edição e o Congresso Internacional de Ciências do Esporte (CONICE) na sua terceira experiência, objetivam a ampliar seu diálogo internacional na perspectiva de estabelecer parcerias e protocolos de cooperação no que diz respeito ao incentivo à realização de intercâmbios junto aos grupos de pesquisa, instituições e entidades científicas de forma a ampliar as bases da soberania nacional e da cooperação internacional.



Escrito por Fabiano Pries Devide às 11h35
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Mulheres e Futebol

Time inglês sub-12 faz greve para ter meninas na equipe Rowan Bridge

Os jogadores de um time de futebol de meninos com menos de 12 anos entraram em greve para convencer a Associação de Futebol da Inglaterra (FA, na sigla em inglês) a permitir que duas meninas joguem pela equipe. As regras da FA impedem que crianças joguem futebol em times mistos, mas a equipe do Birchwood Juniors, da região de Liverpool, havia sido autorizada a montar um time com meninas e meninos juntos como parte de um projeto piloto. No entanto, a associação comunicou ao time que o esquema seria suspenso por causa do desaparecimento de documentos para o campeonato da atual temporada. O escritório da FA em Liverpool afirmava que não havia recebido os documentos de seguro das jogadoras. Mas, depois da greve dos meninos da equipe, a FA voltou atrás, afirmou que ocorreu um erro administrativo e decidiu permitir que as duas meninas do Birchwood Juniors voltem a jogar pelo time. O técnico da equipe, Paul Owens, afirmou que a proibição havia sido um "duro golpe" contra o time, mas acrescentou que ficou orgulhoso com a reação dos meninos. "Fiquei muito orgulhoso ao ver como eles são unidos como time", disse. O Comitê de Futebol Misto da FA se reuniu nesta terça-feira e disse à Associação de Futebol do Condado de Liverpool que "dá todo o apoio" ao
time de Birchwood. O comitê deu às duas meninas Kara Hunt e Sophie Ellis "isenção retroativa" para que as duas continuem jogando pela equipe. Antes da revisão da decisão da FA, uma das jogadoras, a goleira Kara Hunt, havia afirmado que a suspensão dela e de Sophie seria "injusta". O pai da goleira, Graham Hunt, afirmou que a filha ficou "desolada" com a notícia da proibição. "Mas agora tudo foi esquecido e ela está ansiosa para vencer a liga pelo time", afirmou. Kyle Higham, um menino de 12 anos que joga pelo Birchwood Juniors, foi um dos que participou da greve pela volta das companheiras de equipe. "Não sei por que elas não deveriam jogar, é tudo a mesma coisa", disse Higham. "Algumas garotas são melhores do que os meninos aqui."

BBC Brasil - Fonte: http://esportes.terra.com.br/futebol/europeu/2008/interna/0,,OI3581308-EI11631,00-Time+ingles+sub+faz+greve+para+ter+meninas+na+equipe.html



Escrito por Fabiano Pries Devide às 20h06
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Aos interessados/as nas questões de gênero envolvidas no ensino dos conteúdos da EFescolar, o artigo abaixo aborda o futebol enquanto área de reserva masculina e suas possibilidades de ensino em uma ótica co-educativa. Boa leitura!

http://www.rizoma.ufsc.br/pdfs/792-of8a-st2.pdf

 

Futebol e Masculinidade: um Espaço Pedagógico para Ações Afirmativas (Antônio Carlos Vaz)

RESUMO:

O futebol, atividade extremamente valorizada na cultura esportiva brasileira, é indiscutivelmente reconhecido como um esporte masculino. E é justamente por esta identificação que se pode considerar o futebol como um importante conteúdo para o desenvolvimento da co-educação nas aulas de Educação Física. No processo de ensino do futebol é possível introduzir o conceito de ações afirmativas, buscando uma relação democrática entre os gêneros feminino e masculino, transformando, assim, o jogo de futebol e a perspectiva política de meninas e meninos. Palavras Chaves: Futebol; mulher; co-educação, ações afirmativas.



Escrito por Fabiano Pries Devide às 14h27
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Esporte e Homofobia

Lendo mensagem publicada na internet, sobre o convite da Federação Inglesa de Futebol aos jogadores David Beckham e Cristiano Ronaldo para participarem de vídeo acerca de uma campanha sobre o combate à homofobia no futebol [vide o site português: http://www.maisfutebol.iol.pt/noticia.php?id=1029661&div_id=1488 ], parei para refletir em algumas linhas sobre como o esporte, paradoxalmente, pode se configurar como um espaço de culto à masculinidade hegemônica (Connell, 1995) e ao comportamento homofóbico e também de legitimação de práticas sociais homoeróticas, que por ocorrerem na arena esportiva, não são contestadas pela sociedade heterossexista.

"Em nossa cultura, a manifestação de afetividade entre meninos e homens é alvo de uma vigilância muito mais intensa do que entre as meninas e mulheres. (...) as expressões físicas de amizade e de afeto entre homens são controladas, quase impedidas, em muitas situações sociais. (...) A homofobia funciona como mais um importante obstáculo à expressão de intimidade entre homens" (Louro, 2001, p. 27-28).

Enquanto as amizades masculinas tendem a ser superficiais por, entre outras razões, os homens serem ensinados a serem homofóbicos, emocionalmente inexpressivos e competitivos, o esporte competitivo tem sido um elemento que media os relacionamentos entre os homens em outras vias que lhes permite desenvolver uma poderosa ligação enquanto ao mesmo tempo os previne do desenvolvimento da intimidade, uma vez que eles tendem a fazer "coisas juntos", p. ex., jogar e competir, mas não gastar o tempo conversando sobre suas vidas pessoais: trabalho, família, relacionamentos etc.

Embora a homofobia seja um mecanismo de controle da manifestação de afeto entre homens na sociedade contemporânea, o esporte providencia oportunidades para que estes mesmos homens criem grupos fechados e vivenciem situações intensas de intimidade de forma legítima em alojamentos, vestiários, parcerias em caçadas e pescarias, concentrações pré-competições, rodas de chope, entre outras situações nas quais a presença de mulheres não tende a ser admitida (Louro, 2001).

O vínculo erótico entre homens atletas é neutralizado através da homofobia e do posicionamento das mulheres como objetos sexuais em conversas. Assim, a masculinidade heterossexual é construída coletivamente, a partir da prática de denegrir a homossexualidade e a feminilidade como "não-masculinas" (Messner, 1992). Uma das vias para isto é a elevação do corpo e da sexualidade masculina como superior à feminina. No universo homossocial do esporte, a negação de qualquer impulso homoerótico é um elemento chave desta elevação da superioridade heterossexual. Por isso, podemos dizer que o esporte moderno é uma instituição genderizada; uma instituição social construída por homens como uma resposta à crise das relações de gênero na virada do século XIX e XX.

As estruturas e valores dominantes do esporte refletem os medos e necessidades de uma masculinidade ameaçada. O esporte é construído como um universo homossocial com uma divisão masculina do trabalho que exclui as mulheres. Sem dúvida, o esporte simboliza a estrutura masculina de poder dos homens sobre as mulheres e finalmente, constitui e legitima uma organização social heterossexista da sexualidade. Como resultado, a instituição esportiva no século XX desempenhou um papel chave na construção e estabilização de um sistema dominante masculino e heterossexista das relações de gênero (Messner, 1992).

Cabe refletirmos sobre os mecanismos pelos quais jogadores como Richarlyson ou Sol Campell sofrem com a homofobia no esporte, que ultrapassa as quatro linhas dos campos de futebol inglês. Nesse aspecto, o esporte - sobretudo aquelas modalidades consideradas bastiões da masculinidade - deve ser interpretado como instituição social que reflete questões sociais circulantes na sociadade contemporânea.

Indicações de leitura: [1] LOURO, G. L. Pedagogias da Sexualidade. In.: Louro (org.). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Autêntica: Belo Horizonte, 2001. p. 7-34.  [2] MESSNER, M. A. Power at Play: sports and the problem of masculinity. Boston: Beacon Press, 1992. [3] CONNELL, R. W. Políticas da masculinidade. Educação & Realidade. Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 185-206, 1995.

 



Escrito por Fabiano Pries Devide às 11h02
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Antropologia, Gênero e Masculinidade

http://www.artnet.com.br/~marko/

Antropologia, Gênero e Masculinidade > HP dedicada ao estudo da masculinidade, criada em 1997 e organizada por Marko Monteiro.



Escrito por Fabiano Pries Devide às 12h48
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Participação em matéria publicada no Jornal "PUBLICO", em Lisboa, Portugal

http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain2%2Easp%3Fdt%3D20081106%26page%3D4%26c%3DC

Hamilton Mais um negro a quebrar uma barreira

06.11.2008, Hugo Daniel Sousa

Depois do atletismo, do futebol, do boxe, da natação, do ténis e do golfe,
a Fórmula 1 também já tem um campeão negro. Hamilton foi o pioneiro
e espera que o seu exemplo inspire outros. Os antropólogos explicam que esta vitória ajuda a provar que as elites mundiais estão a mudar

A história do desporto está recheada de marcos na luta pela igualdade racial. George Poage foi o primeiro negro a ganhar uma medalha olímpica (1904), Jack Johnson o primeiro pugilista a vencer o título de pesos-pesados (1908), Althea Gibson a primeira tenista afro-americana a ganhar uma prova do Grand Slam (1957), Arthur Ashe o primeiro tenista a vencer um dos quatro mais importantes torneios de ténis (1963). E Tiger Woods foi o primeiro, e único, golfista a vencer um Masters (1997). Agora, Lewis Hamilton junta-se à lista dos campeões negros, depois de, no domingo, ter vencido o Mundial de Fórmula 1.
A vitória de Lewis Hamilton não é propriamente uma revolução na afirmação dos desportistas negros. Há muito que campeões como Jesse Owens, Bob Beamon, Carl Lewis (atletismo), Michael Jordan, Magic Johnson (basquetebol) e Pelé (futebol) encantaram o mundo noutras modalidades. Um pouco à semelhança do que aconteceu com Tiger Woods no golfe, o triunfo de Hamilton no automobilismo tem um significado especial, por se tratar de uma modalidade elitista, em que o dinheiro é condição fundamental para chegar ao topo. "[Ser campeão do mundo] mostrará que não só os brancos podem fazê-lo, mas também os negros, os indianos, os japoneses e os chineses", disse o piloto inglês numa entrevista à Black History Month em 2007, numa das poucas ocasiões em que comentou questões raciais.
"Nem todos os desportos são da mesma natureza. Alguns estão ligados a classes mais altas e os negros estão sub-representados, porque, estatisticamente, há menos gente negra nas camadas mais ricas do mundo", explica ao P2 o antropólogo João de Pina Cabral, para quem este triunfo pioneiro de Hamilton, em pleno século XXI, é "mais uma questão de classe do que de cor": "É importante verificar que assistimos a uma alteração da natureza das elites. Assistimos a uma globalização e desocidentalização das elites, que ocorre não só com negros mas também com árabes e chineses".
O investigador brasileiro Fabiano Pries Devide - que tem feito trabalhos sobre desporto e inclusão - sublinha que a fórmula 1 é mais uma das modalidades que "reproduzem a desigualdade racial no sentido da inserção de negros no desporto". "Ténis, golfe, ginástica artística, esgrima, saltos para a água são apenas algumas dessas modalidades em que raramente vemos um(a) atleta negro competindo", disse ao P2, por e-mail, este docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Actividade Física da Universidade Salgado de Oliveira, no Rio de Janeiro.
Outros exemplos são o ciclismo ou a natação - esta uma modalidade com dois medalhados olímpicos (a holandesa Enith Brigitha ganhou o bronze nos 100 e 200m livres em 1976 e o suranimês Anthony Nesty ganhou o ouro nos 100m mariposa em 1988), mas sem figuras afro-americanas na actualidade.
Nuno Couceiro, que lançou pilotos como Álvaro Parente e actualmente é agente de Filipe Albuquerque (um dos portugueses que tentam chegar à F1), concorda que as exigências financeiras do automobilismo explicam o reduzido número de pilotos negros: "Em Portugal, nunca lidei com nenhum, mas noutros países já vi. Há sete ou oito anos, havia um miúdo chamado Jason Watt [filho de mãe dinamarquesa e pai jamaicano] que era muito bom, mas sofreu um acidente que o deixou paraplégico. Provavelmente teria sido o primeiro negro a chegar à Fórmula 1".
Bandeira em baixo
Antes de Hamilton, o americano Willy T. Ribs esteve perto de ingressar na F1. Efectuou um teste no Estoril, em 1985, pela Brabham, equipa que à época era de Bernie Ecclestone, hoje o detentor dos direitos comerciais da F1, mas a estreia em corrida nunca aconteceu. O triunfo de Hamilton no mais importante campeonato automobilístico encerra também um ciclo de dificuldades para os pilotos negros, que durante anos enfrentaram obstáculos para se afirmarem na modalidade.
Um exemplo aconteceu em 1963, precisamente o ano do célebre discurso de Martin Luther King no Lincoln Memorial, em Washington. Wendell Scott venceu uma corrida em Jacksonville, mas o director de corrida só agitou a bandeira de xadrez quando o segundo classificado (um branco) cortou a meta. E o troféu só foi entregue a Scott depois de os espectadores terem abandonado o circuito.
Filho de uma britânica e de um descendente de imigrantes da ilha de Granada, nas Caraíbas, Hamilton não teve esses problemas. Mesmo não pertencendo a uma família abastada - o pai era empregado dos caminhos-de-ferro -, conseguiu reunir apoios importantes desde muito cedo, especialmente quando passou a integrar, aos 13 anos, o programa de desenvolvimento de pilotos da McLaren. Ron Dennis, o patrão da equipa britânica, desvalorizou a questão racial quando o apresentou, aos jornalistas, como piloto. "Sabemos da potencialidade da cor de Hamilton para ser usada nos vossos artigos e não escondemos esse facto, mas a cor não interessa."
Há até quem diga, como Nuno Couceiro, que a cor da pele acabou por ser um aspecto a favor de Hamilton. "Ele é muito bom e mereceu ser levado ao colo pela McLaren até à F1, mas também interessa à equipa ter um piloto negro, por razões económicas." As estimativas parecem dar razão a este argumento. O Times aponta Hamilton como o potencial candidato a ultrapassar os rendimentos de mil milhões de dólares que, segundo a Forbes, Tiger Woods atingirá em 2010.
A vitória de Hamilton foi vista em Inglaterra como o início de uma semana histórica para os negros, que a eleição de Barack Obama como Presidente dos EUA confirmou. "Saber que pode haver um Presidente negro e ver Hamilton vencer faz-me sentir bem, porque sou negro. Não há modelos suficientes para os jovens", comentou um estudante ao Guardian.
Hamiltonmania
Nuno Couceiro espera uma "Hamiltonmania em Inglaterra", como houve "Alonsomania em Espanha", após o título de 2005, com muitos jovens a tentarem seguir os passos do novo campeão. "A vitória no desporto representa, na 'sociedade do espectáculo', uma visibilidade que ultrapassa o sentido estritamente desportivo, contribuindo para mudanças nas representações sociais acerca da presença de negros no desporto e noutras esferas sociais", argumenta Fabiano Pries Devide, considerando normal que haja maior adesão de jovens a uma modalidade após a vitória de alguém com quem se identificam.
O investigador brasileiro recusa-se, no entanto, a conferir ao desporto um papel "redentor". "O desporto, por si só, não deve ser visto como uma via de ascensão social ou uma instituição que possui autonomia em relação ao todo social. Pode ser visto como um terreno de contestação da hierarquia racial ou, por outro lado, como um espaço de reprodução da mesma", salienta Pries Devide.
A análise é partilhada pelo antropólogo João de Pina Cabral. "O desporto talvez seja mais visível, mas não é uma área de destaque de categorias sociais diminuídas", aponta este investigador do Instituto de Ciências Sociais, para quem o cinema e a literatura até são campos mais interventivos. Sublinha também que os efeitos de um triunfo como este serão socialmente limitados. "O momento mais marcante foram os Jogos Olímpicos de Berlim, em que a vitória de americanos negros teve um papel político, no sentido de revelar a falsidade das teorias nazis. Não voltou a haver uma ocasião como essa", diz, referindo-se aos triunfos de Jesse Owens.
Na sua curta carreira de dois anos como piloto de Fórmula 1, Hamilton tem sido discreto politicamente. Admitiu só que é admirador de Martin Luther King e Nelson Mandela e que gostava de ver Obama na Casa Branca, mas repete o low profile de Tiger Woods. Nenhum deles viveu ainda uma situação semelhante à de Michael Jordan, que, nos anos 1990, recusou criticar as tiradas racistas do senador republicano Jesse Helms.
Hamilton já este ano foi, porém, vítima de incidentes racistas, quando efectuou testes em Espanha. O pai do inglês admitiu esta semana que ponderou retirar o filho do automobilismo: "Cheguei a pensar que talvez este não fosse um lugar para a minha família".
O jovem britânico continou e sagrou-se, aos 23 anos, o mais jovem vencedor de sempre do Mundial de F1. E na hora da vitória não quis fazer grandes leituras raciais. "Nunca fui para uma corrida a pensar que era o único negro. Adoro correr e espero que ganhar o campeonato abra as portas para que outras culturas e jovens possam realizar os seus sonhos. Eu estou a viver o meu."

 



Escrito por Fabiano Pries Devide às 13h34
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XII ENCONTRO FLUMINENSE DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: a Educação Física escolar e seus desafios conceituais, sociais e pedagógicos

Divulgo abaixo os resumos dos trabalhos [temas-livres] apresentados por pesquisadores do Grupo de Pesquisa "Gênero na Educação Física e no Desporto" (CNPq), liderado por mim, no XII Encontro Fluminense de Educação Física escolar: a Educação Física escolar e seus desafios conceituais, Sociais e Pedagógicos, realizado de 16 a 19 de outubro de 2008, na Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ. Os textos completos dos trabalhos podem ser conferidos no cd-rom do evento.

 Saudações acadêmicas a todos!

 

REPRESENTAÇÕES SOBRE GÊNERO NOS ANAIS DO ENCONTRO FLUMINENSE DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR (EnFEFE)

Marcos Miranda Correia (ISERJ, SME/RJ), Fabiano Pries Devide (PGCAF-Universo)

Os estudos sobre gênero e o I Encontro Fluminense de Educação Física Escolar (EnFEFE) surgem em um contexto polêmico e de mudanças teóricas e políticas na Educação Física. Os estudos de gênero identificam na escola um ambiente fértil para problematizar suas questões teóricas e o EnFEFE busca aproximar os professores da educação básica do conhecimento acadêmico. Em função do direcionamento de ambos para a escola, encontramos nos anais do EnFEFE um objeto de estudo significativo e relevante para verificar como a temática de gênero está sendo representada nas suas primeiras dez edições. Com a pesquisa bibliográfica e a análise documental, os resultados indicam que a temática de gênero encontra-se sutilmente representada nos anais do EnFEFE, contribuindo para a promoção e reflexão da mesma entre os participantes do evento.

 

O DISCURSO DOS DISCENTES CONCLUINTES DO ENSINO MÉDIO SOBRE OS SABERES CONSTRUÍDOS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: Uma análise a partir da teoria de gênero

Karla Lopes do Rosário (Unisuam), Fabiano Pries Devide (Unisuam, PGCAF/Universo)

A pesquisa buscou identificar no discurso dos discentes concluintes do ensino médio os conhecimentos construídos nas aulas de Educação Física na sua trajetória escolar e a aplicabilidade no cotidiano, utilizando a teoria de gênero como categoria de análise dos resultados. Para tal, realizamos um estudo de caso de caráter qualitativo, onde 103 discentes concluintes do ensino médio responderam um questionário com oito perguntas; O Colégio Brigadeiro Newton Braga foi escolhido por apresentar aulas de EF separadas por sexo, além de oferecem conteúdos diferenciados para meninos e meninas, supondo discursos distintos sobre as aulas e vivências da Educação Física. Concluímos que o esporte reina hegemônico entre os principais conhecimentos assimilados da EF, mostrando estereotipias “femininas e masculinas” nos esportes citados. O anseio das meninas em aprender outros conteúdos além do esporte revela a insatisfação quanto a não paridade de conteúdos.

 

 

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE LICENCIANDOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA SOBRE AS QUESTÕES DE GÊNERO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: REFLEXÕES SOBRE A FORMAÇÃO PROFISSIONAL NO CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA (UNISUAM)

Ilza Pereira Silva (PIBIC/Unisuam), Morjana Britto Peçanha (PIBIC/Unisuam), Fabiano Pries Devide (Unisuam, PGCAF/Universo)

Este Estudo de Caso, realizado na Unisuam, apresenta caráter qualitativo e descritivo (Posselon, 2004). Visa responder ao Problema: Quais as representações sociais de licenciandos em EF sobre as questões de Gênero na EFe? O objetivo é identificar os elementos constituintes das representações sociais desses atores sociais sobre as questões de gênero na EFe. Como percurso metodológico, utilizamos a pesquisa documental e a entrevista estruturada: i) análise da grade curricular e ementas do curso de Licenciatura em EF da Unisuam; ii) entrevistas com os discentes concluintes do curso. Os referenciais teórico-metodológicos para interpretação dos dados são: Teoria de Gênero (Scott, 1995, 2005; Louro, 2001); Análise de Conteúdo (Bardin, 1995); e Teoria das Representações Sociais (Sá, 1998; Spink, 1995; Moscovici, 1978, 2003). Os resultados permitem afirmar que as questões de gênero permanecem à margem na formação profissional em EF, não se constituindo numa temática circulante, que auxilie o futuro docente a problematizar as relações de gênero no âmbito das aulas de EFe, visando a inclusão.

 



Escrito por Fabiano Pries Devide às 10h43
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Voice of the Shuttle > LINKS para Estudos de Gênero

Para pesquisar outros links sobre Estudos Feministas, Estudos de Gênero, Sexualidade, Estudos sobre Teoria Queer, Ecofeminismo, Estudos sobre Homens e Masculinidades, entre outros, visite o site "Voice of the Shuttle", um site para pesquisa em Ciências Humanas:

http://vos.ucsb.edu/browse.asp?id=2711

 



Escrito por Fabiano Pries Devide às 13h16
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Associação Portuguesa Mulheres e Desporto

A "Associação Portuguesa Mulheres e Desporto" é uma organização de direitos de mulheres.

Visa promover a igualdade e a participação das mulheres no desporto em diferentes níveis, funções e esferas de competência.

http://www.mulheresdesporto.org.pt/



Escrito por Fabiano Pries Devide às 13h08
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Grupo de Estudos sobre Cultura e Corpo - UFRGS

O Grupo de Estudos sobre Cultura e Corpo foi criado em 2002. É constituído por docentes e estudantes do Programa de Pós-graduação em Ciências do Movimento Humano da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e ao Centro de Memória do Esporte. Tem desenvolvido atividades de pesquisa, ensino e extensão, sobre temas no campo das ciências humanas e suas interfaces com a Educação Física, tais como: História do Corpo e das práticas corporais e esportivas, Gênero, Sexualidade e Mídia.

http://www.esef.ufrgs.br/ceme/grecco/index.htm



Escrito por Fabiano Pries Devide às 13h06
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O Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero (GEERGE) é formado por docentes e discentes do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Dedica-se ao ensino e pesquisa na área de Gênero, sexualidade, classe, etnia, religião, nacionalidade e geração na sua articulação com a educação. Tem como referências, teorizações pós-críticas, provenientes dos Estudos Feministas, Estudos Culturais, Estudos Gays e Lésbicos e da Teoria Queer.

http://www.geerge.com/



Escrito por Fabiano Pries Devide às 09h16
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Homens em crise ou masculinidade em questão?

CAFÉ FILOSÓFICO | Homens em crise ou masculinidade em questão? | Com Maria Rita Kehl

http://www.cpflcultura.com.br/revista_ler.aspx?Revista_Categoria_ID=1&arquivo_ID=343



Escrito por Fabiano Pries Devide às 19h44
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International Working Group Women and Sport

O Grupo Internacional de Trabalho Mulheres e Esporte (IWG) foi constituído em 1994, durante a I Conferência Internacional Mulheres e Esporte, ocorrida em Brighton. O Grupo é um corpo independente com representantes de organizações governamentais e não-governamentais de diferentes regiões do mundo, recebendo apoio financeiro e de lideranças do Reino Unido, Canadá, Japão, Namíbia e Austrália. Aos interessados sobre as questões referentes às mulheres no Movimento Olímpico, vale uma visita ao site> http://www.iwg-gti.org/index.php?id=23



Escrito por Fabiano Pries Devide às 12h30
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Revista CORPUS ET SCIENTIA

A revista Corpus et Scientia é uma publicação semestral da UNISUAM. Tem por finalidade estimular o pensamento, promover a investigação empírica e disseminar o conhecimento científico em Educação Física, Fisioterapia e áreas afins. Inclui tópicos que se relacionam ao movimento humano, à saúde e qualidade de vida, aos aspectos psicológicos do desempenho humano, à recuperação física, e outras dimensões da corporeidade.

http://www.unisuam.edu.br/corpusetscientia/



Escrito por Fabiano Pries Devide às 12h35
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ESPORTE e SOCIEDADE - revista digital

Esporte e Sociedade é uma revista quadrimestral que tem como objetivo contribuir para o avanço dos estudos sobre esporte a partir do diálogo com as ciências sociais e humanas. Está Indexada nas seguintes bases de dados: History Journals Guide, Sportdiscus e Latindex.

http://www.uff.br/esportesociedade/



Escrito por Fabiano Pries Devide às 12h33
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REVISTA PENSAR A PRÁTICA

Pensar a Prática acaba de publicar seu último número em http://www.revistas.ufg.br/index.php/fef. Navegue no sumário da revista para acessar os artigos e itens de interesse.
Pensar a Prática (Universidade Federal de Goiás) - Vol. 11, No 2 (2008)
Sumário: http://www.revistas.ufg.br/index.php/fef/issue/view/339



Escrito por Fabiano Pries Devide às 09h21
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Anais do III Fórum Mulher & Esporte: Mitos e Verdades (USP-2004)

http://www.im.br/site_1/faculdades/educacao_fisica/estudo_muculacao/ANAIS_III_Forum_Mulher_Esporte_Mitos_e_Verdades.pdf

O Departamento de Esporte da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, em conjunto com o Laboratório de Psicossociologia do Esporte – “LAPSE“ / Grupo de Estudos e Pesquisas em Psicossociologia do Esporte – “GEPPSE”, realizou em 2004, a terceira edição do Fórum Mulher & Esporte > Mitos e Verdades < um novo pensar no terceiro milênio. As linhas de pensamentos formuladas pelos palestrantes e debatedores nos encaminham para uma coletânea de interpretações sobre a inclusão das mulheres nos diferentes tipos de atividades físicas e esportivas competitivas. Os textos apresentados nos Anais visam estimular pesquisas sobre a participação das mulheres na sociedade do esporte. Esse é o fio condutor destes Anais – a participação das mulheres traduzida na cultura esportiva, focalizada através de um vasto continuum de valores, bens que as mulheres precisam para sobreviver na sociedade do esporte – e de seu processo de ajustamento múltiplo através dos tempos e nos diferentes espaços.

(por: Prof. Dr. Antônio Carlos Simões - Coordenador “LAPSE/GEPPSE”).



Escrito por Fabiano Pries Devide às 23h50
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Revista Brasileira de Ciência e Movimento - RBCM

REVISTA BRASILEIRA DE CIÊNCIA E MOVIMENTO 
http://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/login


Escrito por Fabiano Pries Devide às 08h58
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Lançamento do livro "Universo do Corpo: masculinidades e feminilidades"

O lançamento da obra "Universo do Corpo: masculinidades e feminilidades" foi um sucesso! Abaixo, uma lembrança dos bons momentos que passei com meus orientandos de Iniciação Científica, co-autores do capítulo "Produção de sentidos sobre a visibilidade de mulheres atletas no jornalismo esportivo: interpretações a partir do Caderno de Esportes do Jornal 'O Globo'".

esq. > dir.: Prof. Erik Pereira (organizador e autor), Felippe Saint Just Rodrigues (autor), Fabiano Pries Devide (autor), Elaine Romero (organizadora e autora) e Renata Silva Batista (autora).



Escrito por Fabiano Pries Devide às 10h42
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XII Congresso do Desporto e Educação Física dos países de língua portuguesa - Desporto: Paz, Direitos Humanos e Inclusão Social

Divulgo abaixo os resumos dos trabalhos [pôsters] apresentados por pesquisadores do Grupo de Pesquisa "Gênero na Educação Física e no Desporto" (CNPq), liderado por mim, no XII Congresso do Desporto e Educação Física dos países de língua portuguesa - Desporto: Paz, Direitos Humanos e Inclusão Social, realizado de 17 a 20 de setembro de 2008, na Universidade Federal do rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS. Saudações acadêmicas a todos!

 

A MÍDIA ESPORTIVA COMO ÁREA DE RESERVA MASCULINA

Renato Callado Ferreira (PGCAF - Universo/PUC-RJ; Prof. Dr. Fabiano Pries Devide (PGCAF – Universo, Unisuam); Prof. Dr. Carlos Alberto Figueiredo (PGCAF - Universo, Unisuam)

A literatura tem apontado a mídia esportiva como área de reserva masculina, com sub-representação das mulheres (DEVIDE, 2005; DEVIDE, LIMA, RODRIGUES, BATISTA, 2008; SOUZA, KNIJNIK, 2007; GOMES, SILVA, QUEIRÓS, 2008). O objetivo do estudo foi analisar a cobertura midiática sobre o esporte masculino e feminino, a partir de pesquisa documental em 25 edições do Caderno de Esportes do jornal ‘O Globo’. Mapeou-se o número de matérias sobre o esporte feminino, masculino ou ambos; imagens de atletas homens, mulheres, ou ambos os sexos; e matérias assinadas por jornalistas homens e mulheres. Os resultados apontam um desequilíbrio na cobertura midiática, contribuindo para uma hierarquia de gênero que favorece o esporte masculino. Das 366 matérias, a maioria (n=311/85%) aborda o esporte masculino em detrimento do feminino (n=21/6%) ou de ambos os sexos (n=34/9%). Das 230 imagens, a maioria (n=205/89%) é de atletas homens, sendo apenas 16 (7%) de mulheres ou que ilustrem atletas de ambos os sexos (n=9/4%). Os jornalistas homens (n=104/88%) também prevalecem na assinatura das matérias em relação às mulheres (n=14/12%). Concluí-se que o avanço na participação das mulheres atletas no esporte não têm sido acompanhado em outras esferas, como o comando de equipes, o gerenciamento de instituições esportivas e o jornalismo esportivo, preservando estes espaços como áreas de reserva masculina.

Referências bibliográficas: DEVIDE, F. P.. Gênero e Mulheres no Esporte: História das Mulheres nos Jogos Olímpicos Modernos. Ijuí: Unijuí, 2005. DEVIDE, F. P.; LIMA, F. R.; RODRIGUES, F. S.; BATISTA, R. Produção de sentidos sobre a visibilidade de mulheres atletas no jornalismo esportivo: interpretações a partir do caderno de esporte do jornal ‘O Globo’. In.: ROMERO, E.; PEREIRA, E. G.B. (Orgs.). Universo do Corpo: masculinidades e feminilidades. Rio de Janeiro: Shape/Faperj, 2008. GOMES, P. B.; SILVA, P.; QUEIRÓS, P. Distintos registros sobre o corpo feminino: beleza, desporto e mídia. In.: ROMERO, E.; PEREIRA, E. G.B. (Orgs.). Universo do Corpo: masculinidades e feminilidades. Rio de Janeiro: Shape/Faperj, 2008. SOUZA, J. S.; KNIJNIK, J.D. A mulher invisível: gênero e esporte em um dos maiores jornais diários do Brasil. Revista brasileira de Educação Física, v. 21, n.1, p.35-48, 2007.

MULHERES NA INICIAÇÃO DESPORTIVA E NA GESTÃO DE CLUBES: UM ESTUDO DE CASO NA CIDADE DE JUIZ DE FORA (MG)

Luiz Carlos Pessoa Nery (PGCAF - Universo); Prof. Dr. José Maurício Capinussú (PGCAF – Universo); Prof. Dr. Fabiano Pries Devide (PGCAF - Universo; Unisuam)

O presente estudo tem como foco as questões de gênero na iniciação e gestão desportiva nos clubes da cidade de Juiz de Fora (MG). No contexto dos Estudos de Gênero, em expansão na Educação Física (LUZ JÚNIOR, 2003), a inserção de mulheres em posições de comando no desporto tem sido alvo de estudos (OLIVEIRA, 2004; MOURÃO, GOMES, 2004) que têm interpretado a gestão desportiva e o comando de equipes de alto rendimento como áreas de reserva masculina (DUNNING, 1992; DEVIDE, 2005). Este estudo de caso, de caráter qualitativo, objetivou identificar a participação das mulheres na iniciação e gestão desportiva nos clubes de Juiz de Fora. Após levantamento pela aplicação de um questionário fechado aos presidentes dos 22 clubes desportivos mapeados na cidade, os resultados permitem inferir que há uma ausência da participação feminina na gestão desportiva nos clubes de Juiz de Fora. Nos clubes pesquisados, não se identificou presença de mulheres nos cargos de gestão esportiva. Identificamos 61 docentes de Educação Física na Iniciação Desportiva, dos quais somente sete (11,4%) são mulheres, caracterizando um desequilíbrio na participação dos sexos no ensino do desporto no âmbito clubístico. Tais dados reforçam que a atuação profissional da iniciação ao treinamento desportivo tem sido reservada aos homens, com um número escasso de mulheres. Conclui-se que na cidade de Juiz de Fora, o desporto, tanto na iniciação desportiva como na gestão desportiva, constitui-se numa área de reserva masculina.

Referências Bibliográficas: DEVIDE, F. P. Gênero e Mulheres no Esporte: História das Mulheres nos Jogos Olímpicos Modernos. Ijuí: Unijuí, 2005. DUNNING, E. O desporto como uma área masculina reservada: notas sobre os fundamentos sociais na identidade masculina e as suas transformações. In. ELIAS, N.; DUNNING, E. A busca da excitação. Lisboa: Difel, 1992. LUZ JÚNIOR, A. Educação Física e Gênero: olhares em cena. São Luís: Imprensa Universitária/UFMA/CORSUP, 2003. MOURÃO, L.; GOMES, E. M. de P. Mulheres na administração esportiva brasileira: uma trajetória em curso. In.: SIMÕES, A. C.; KNIJNIK, J. D. (0rgs.). O mundo psicossocial da mulher no esporte: comportamento, gênero e desempenho, 2004. p. 305-318. OLIVEIRA, G. A. S. de. Mulheres enfrentando o desafio da inserção, ascensão e permanência no comando de equipes esportivas de alto nível. In.: SIMÕES, A. C.; KNIJNIK, J. D. (Orgs.). O mundo psicossocial da mulher no esporte: comportamento, gênero e desempenho, 2004.




Escrito por Fabiano Pries Devide às 10h23
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REVISTA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS DO ESPORTE online

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Há vinte e oito anos a Revista Brasileira de Ciências do Esporte compromete-se com o intercâmbio e a divulgação de conhecimento científico produzido pela área da Educação Física/Ciências do Esporte. Esse compromisso é hoje expandido com a RBCE online, que está inserindo a Revista Brasileira de Ciências do Esporte junto ao Sistema de Editoração Eletrônico de Revistas (SEER) e, assim, ampliando ainda mais o intercâmbio com entidades nacionais e internacionais, estudantes e profissionais ligados não apenas à área da Educação
Física/Ciências do Esporte, mas também à toda comunidade acadêmica em geral. A RBCE online vem facilitar o manuseio por parte dos usuários, autores, avaliadores, revisores e leitores e ampliar a produção e o acesso ao material publicado, inclusive no exterior. Nesse momento de lançamento, a RBCE on-ine conta com 201 artigos já disponíveis aos usuários, inclusive o volume 30-1 (de setembro de 2008), publicado simultaneamente com a edição impressa. Vinte e oito usuários e quatorze leitores já realizaram seu cadastramento e um autor, Victor Andrade Melo, consagrou a abertura das submissões via sistema. Fica o agradecimento àqueles que trabalharam intensamente para que esse projeto se concretizasse: em especial, ao apoio da diretoria do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte, ao coordenador de implantação Ari Lazarrotti Filho, ao pessoal do suprote técnico, e, muito especialmente à equipe editorial da RBCE, Ana Cristina Richter, Felipe Quintão de Almeida, Jaison José Bassani. Nesse momento, que é também de merecida comemoração por tudo aquilo que foi realizado nessas três décadas pelo CBCE, convidamos aos pesquisadores e pesquisadoras e à comunidade científica para registrar a história da Educação Física/Ciências do Esporte na RBCE online a partir de diferentes olhares e concepções, de distintas abordagens, temas, objetos e problematizações, produzindo pesquisas que derivem em artigos originais, que elaborem artigos de revisão, que resenhem obras de colegas, enfim, que alimentem o debate vivo e rigoroso na Educação Física/Ciências do Esporte. A RBCE deverá continuar sendo, e cada vez
de forma mais aprimorada, um veículo para esses esforços.
Florianópolis, 17 de setembro de 2008.
Alexandre Fernandez Vaz
Marcus Aurélio Taborda de Oliveira


Escrito por Fabiano Pries Devide às 18h37
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Artigos sobre Gênero e Mulheres na Educação Física e no Desporto

 

Links para acesso aos artigos sobre Gênero e Mulheres na EF, Desporto e Lazer, publicados na Biblioteca Digital do Boletim Brasileiro de Educação Física, editado por Efrain Maciel e Silva (ISSN 1806-2245).

http://www.boletimef.org/?canal=12&p=g%EAnero&c=1

http://www.boletimef.org/?canal=12&p=mulheres&c=1

Abraço e boa leitura a todos/as!



Escrito por Fabiano Pries Devide às 12h06
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Entrevista

Metais valiosos
25/8/2008
Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – A participação das mulheres brasileiras em Jogos Olímpicos começou em 1932, quando a nadadora Maria Lenk representou o país em Los Angeles. Mas a primeira medalha feminina veio apenas em Atlanta, em 1996. E a primeira de ouro em competições individuais demorou 76 anos. Veio somente na última sexta-feira (22/8), quando
Maurren Maggi venceu a prova de salto em distância, tornando-se também a primeira brasileira a subir ao pódio no atletismo.
A principal razão para essa evolução ter sido tão lenta, segundo Katia Rubio, professora da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da Universidade de São Paulo (USP), é que as políticas esportivas sempre privilegiaram os homens. E esses privilégios ainda se mantêm, embora as atletas brasileiras venham ganhando mais espaço.
A professora coordena o projeto de pesquisa Mulheres olímpicas brasileiras que, por meio de entrevistas com atletas e ex-atletas, procura reconstruir a trajetória histórica feminina nacional nos Jogos. Um dos objetivos do projeto, que tem apoio da FAPESP na modalidade Auxílio Regular a Pesquisa, é compreender a defasagem da participação feminina no maior evento esportivo do planeta.
O projeto nasceu de um estudo anterior, também apoiado pela FAPESP, que originou o livro Heróis olímpicos brasileiros, lançado em 2004. Ao resgatar a história dos medalhistas brasileiros, Katia se surpreendeu com o fato de nenhuma mulher ter ganhado medalhas entre 1932 e 1996.
"Isso não podia ser um fato casual. Fiquei interessada em compreender o que levou a essa defasagem. Desde então, entrevistamos muitas brasileiras que participaram das Olimpíadas e começamos a ter resultados que nos colocam diante de questões muito particulares do esporte feminino no país", disse à Agência FAPESP.
A primeira particularidade descoberta pelo estudo se refere à questão de políticas públicas para o esporte feminino. "As mulheres já foram privadas, por lei, de participar de determinadas provas, como lutas ou futebol. As delegações começaram a ter um número equilibrado de mulheres e homens apenas em Sidney, em 2000", disse a pesquisadora.
De acordo com dados do Comitê Olímpico Internacional, em 1932 o Brasil participou com 67 homens e uma mulher. Em 1972, foram 87 para 4. Em 1996, 142 contra 66. Em 2000, 127 para 101. Este ano, foram 145 homens e 132 mulheres.

Preconceito e conformismo: Além do pouco incentivo, os investimentos sempre foram menores nos treinamentos das mulheres, assim como os prêmios pagos. "Com as entrevistas, estamos constatando que há uma certa acomodação das mulheres com essa situação. Elas tendem a achar natural o predomínio masculino nos jogos. Acham que o prêmio deles deve ser maior mesmo", disse.
Segundo Katia, a história da mulher no esporte é diferente em outros países, como Estados Unidos ou Inglaterra. "Estamos vendo que essa história no Brasil tem relação direta com a própria compreensão do feminismo no país. As lutas da mulher não são caracterizadas como lutas políticas. Isso se reflete na postura das atletas, que não se referem a qualquer tipo de discriminação, exceto em relação à raça", afirmou.
O único gesto de inconformismo vem das atletas do futebol, que mencionam episódios de discriminação nas entrevistas. Mas, para Katia, no caso do futebol a diferença de tratamento dada às seleções masculina e feminina é tão gritante que não poderia ser diferente.
"De maneira geral, o que surpreende é a dificuldade das mulheres em referir discriminação, que no entanto é patente. Queremos descobrir se fazem isso por medo de represálias ou se há um discurso de aceitação impregnado", apontou.
Quando uma situação de exclusão é manifesta, segundo Katia, as mulheres particularizam o fato. "Uma das atletas chorou durante a entrevista, ao se lembrar de situações a que se viu submetida por capricho de um dirigente, que destruiu seu sonho de ir aos Jogos Olímpicos. Mas, em vez de atribuir o caso ao preconceito, ela acreditava que se tratava de uma rixa pessoal", contou.
A metodologia baseada em histórias de vida, segundo ela, tem a vantagem de inserir no trabalho a dimensão da subjetividade. "Podemos avaliar o mesmo momento histórico sendo interpretado pelo repertório de diversas trajetórias pessoais", disse Katia, que é presidente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte.
Apesar das condições desiguais, o desempenho das brasileiras se mostra cada vez melhor. Em 1996 (Atlanta), vieram as primeiras medalhas: ouro e prata em vôlei de praia, prata em basquete e bronze em vôlei. Em 2000 (Sidney), prata e bronze em vôlei de praia e bronze em basquete e vôlei. Em 2004 (Atenas), prata em vôlei de praia e futebol. Em 2008 (Pequim), as mulheres ficaram à frente dos homens, com duas das três medalhas de ouro (salto em distância e vôlei feminino), além da prata no futebol e bronze em judô, taekwondo e vela.
"Olhando os resultados das brasileiras nessa Olimpíada – conquistaram seis das 15 medalhas, sendo duas de ouro e uma de prata – eu diria que as mulheres estão surpreendendo. Isso não quer dizer que elas terão melhores condições para trabalhar daqui em diante. Seria preciso que elas fossem tratadas pelo menos com o mesmo respeito dado ao esporte masculino, que ainda assim também tem muitas dificuldades", afirmou.
De acordo com Katia, a exclusão das mulheres remonta à origem das Olimpíadas. "O barão de Coubertin, ao instituir os Jogos da era moderna, em 1894, proibiu a participação feminina argumentando que, na Grécia helênica, elas eram barradas por não serem cidadãs. Nas Olimpíadas de Paris, em 1900, com o vigor do movimento feminista, ele foi obrigado a aceitar as mulheres", disse.

2012 já começou: A pesquisadora considera inadmissível dizer que os atletas brasileiros – homens e mulheres – não tiveram um bom desempenho nos Jogos de Pequim. "Em Olimpíadas não há milagres. Acontece o óbvio: ganham os melhores. Se o Brasil tem poucas medalhas em relação a determinados países, é porque os atletas desses países estão mais bem preparados.
Erros e derrotas dramáticas acontecem com todos. Mas nossos atletas tiveram um desempenho coerente com a preparação que tiveram", disse.
A falta de preparação, para Katia, é decorrente da política esportiva adotada no país. "E não falo apenas de investimento, mas de planejamento. Os Jogos Olímpicos de Pequim acabaram neste domingo. A partir de segunda-feira, os países que mais ganharam medalhas estarão se preparando para Londres em 2012. Mas, seguindo a política do Comitê
Olímpico Brasileiro, nossa preparação começará apenas em julho de 2011", criticou.



Escrito por Fabiano Pries Devide às 09h17
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FOLHA DE SAO PAULO, sexta-feira, 15 de agosto de 2008
O triunfo da mulher sobre o sexismo. A medalha feminina no judô, que, no Brasil, chegou a ser proibido para mulheres por 38 anos, deve ser louvada
PEDRO ABRAMOVAY
ESPECIAL PARA A FOLHA

Os Jogos Olímpicos despertam um fascínio sobre nós muitas vezes  difícil de ser compreendido. A idéia de países disputando medalhas, e  não territórios ou vantagens econômicas, fazendo isso sob as estritas  regras da competição, e não com bombas ou boicotes, é sempre  inspiradora. No Brasil, o envolvimento da população em prol de nomes,  às vezes, pouco conhecidos, quase que em uma catarse coletiva, é de  uma magnitude impressionante. No entanto, a Olimpíada de Pequim  produziu um fato político que não pode passar despercebido. A primeira  medalha brasileira em 2008 foi conquistada pela judoca brasiliense  Ketleyn Quadros, na categoria leve. A alegria desta medalha para o  Brasil não pode nos impedir de ver o enorme caráter simbólico que  possui esta vitória. A prática do judô no Brasil, introduzida pelos  imigrantes japoneses, foi proibida às mulheres pelo decreto-lei nº  3.199, de 1941. Dizia o artigo 54 do texto legal: "Às mulheres não se  permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua  natureza, devendo para este efeito o Conselho Nacional de Desportos  baixar as necessárias instruções às entidades de natureza esportiva."  O conteúdo sexista deste decreto-lei expressa de maneira clara a visão  que o Estado brasileiro tinha da "natureza" da mulher. Qualquer  prática que expusesse uma imagem de mulher que não simbolizasse  beleza, fragilidade ou obediência era um verdadeiro atentado à família 
e subverteria a ordem social instituída. Se o ano de 1941 parece  distante, é importante saber que a proibição foi mantida por muitas  décadas. E sua liberação não se deu de maneira consentida. Foi  necessário que quatro judocas -Patrícia Maria de Carvalho e Silva, Ana  Maria de Carvalho e Silva, Cristina Maria de Carvalho e Silva e Kasue  Ueda- se inscrevessem com nomes de homens no Conselho Nacional dos  Desportos (CND) para participarem do Sul-Americano de judô de 1979. A  participação brilhante das atletas, trazendo duas medalhas de ouro e  uma de bronze, conseguiu sensibilizar a sociedade brasileira e, em  lugar da punição que o CND pretendia impor à federação de judô, a  proibição foi revogada. Desta forma, em 1980 foi realizado o primeiro  campeonato brasileiro feminino da modalidade, no Rio de Janeiro. O  esporte, conforme nos ensinam sociólogos como Pierre Bourdieu, tem  sido um espaço de perpetuação de distinções e reafirmação de  dominações na sociedade. A conquista de uma medalha por uma mulher  negra, em um esporte cuja prática feminina era proibida, deve ser  celebrada como símbolo da emancipação feminina sobre as violências da  sociedade patriarcal brasileira. Neste ano, comemoramos os 20 anos da  promulgação de nossa Constituição. Não podemos nos esquecer que foi  apenas com ela que foi reconhecida a igualdade formal entre homens  mulheres em nosso país. Ainda falta muito para concretizarmos essa  promessa, mas momentos que simbolizem a reafirmação deste princípio  devem ser celebrados. Que essa medalha sirva como demonstração de que 
sempre que o preconceito for derrotado e as barreiras que impedem as  mulheres de se desenvolverem plenamente forem derrubadas, o Brasil  será o vencedor.
PEDRO ABRAMOVAY é secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça

Escrito por Fabiano Pries Devide às 16h27
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MULHERES DO BRASIL NA CHINA, PARABÉNS!

Boa tarde a todos... Aliás, uma tarde dourada! Assistindo a final de vôlei de quadra e assistindo as mulheres brasileiras recebendo a medalha de ouro, não resisti em escrever algumas linhas refletindo sobre a importância dos XXIX Jogos Olímpicos de Pequim para o esporte feminino no Brasil, uma vez que tenho sido um pesquisador na área de Estudos de Gênero, que na Educação Física brasileira, inicia sua trajetória com os estudos focalizados nas mulheres (LUZ JÚNIOR, 2003).

Os XXIX Jogos Olímpicos Modernos de Verão, realizados em Pequim chegam ao seu encerramento sem a melhor campanha do Brasil em termos de medalhas, mas inquestionavelmente representa uma evolução das atletas brasileiras no esporte de alto rendimento. Interpretando o esporte enquanto uma área de reserva masculina (DUNNING, 1992; DEVIDE, 2005), sobretudo o alto rendimento e determinadas modalidades – como as lutas, por exemplo – os resultados das mulheres brasileiras traduzem um movimento inevitável de conquista de espaços nesta arena.

Hoje, podemos dizer que o pioneirismo da professora Maria Lenk, primeira mulher sul-americana a participar dos Jogos Olímpicos Modernos, em Los Angeles, 1932, colhe seus frutos mais maduros. Se na década de 1930, a participação feminina era discreta, senão uma curiosidade, hoje é representativa (DEVIDE, 2003, 2004).

A participação das mulheres do Brasil no pódio dos Jogos Olímpicos Modernos[1] iniciou em Atlanta, 1996, de forma gloriosa, com as medalhas de ouro e prata conquistadas, respectivamente, por Jacqueline Silva/Sandra Pires e Mônica/Adriana Behar, no vôlei de praia; além das medalhas de prata e bronze, respectivamente, com as seleções femininas de basquete e vôlei.

Em Sidney, 2000, as medalhas das mulheres vieram com o vice-campeonato olímpico no vôlei de praia, com Adriana Behar/Shelda; além das medalhas de bronze, com Sandra Pires/Adriana (vôlei de praia) e com as seleções femininas de basquete e vôlei.

Nos XXVIII Jogos Olímpicos de Atenas, 2004, as mulheres conquistaram menos espaço no pódio olímpico, com as duas medalhas de prata, respectivamente, no vôlei de praia, com Adriana Behar/Shelda; e com a seleção feminina de futebol de campo.

A grande evolução da participação das mulheres como atletas nos Jogos Olímpicos dá-se em Pequim, 2008. Surgem as primeiras medalhas em modalidades individuais: a medalha de bronze de Ketleyn Quadros, no judô, na categoria até 57kg; a medalha de ouro de Maurren Maggi, no salto em distância após doze anos sem as mulheres brasileiras subirem ao lugar mais alto do pódio; a medalha de bronze de Fernanda Oliveira e Isabel Swan, na vela - classe 470; além da medalha de bronze de Natália Falavigna, no taekwondo, categoria acima de 67kg. As conquistas das mulheres ainda são coroadas com os esportes coletivos, com a medalha de prata do futebol de campo e o ouro inédito da seleção de vôlei.

Importante ressaltar a importância das medalhas individuais em modalidades de reserva masculina, como o judô e o taekwondo, além de superar os melhores resultados individuais até então conquistados no passado: quartas colocações de Aída dos Santos, no salto em altura, em Tóquio-64; e de Natália Falavigna, do taekwondo, em Atenas-2004. Além das quintas colocações de Piedade Coutinho, nos 400 metros nado livre, em Berlim, 1936; e de Joana Maranhão, nos 400 metros medley, em Atenas, 2004.

Os Jogos Olímpicos de Pequim marcam o recorde de mulheres participantes na delegação brasileira (133), garantindo quase metade das medalhas do país (6), saindo de uma posição de coadjuvantes e melhorando os resultados de Atlanta (um ouro, duas pratas e um bronze) e Sidney (uma prata e três bronzes).

As mulheres brasileiras – insistentemente chamadas de “meninas”, “musas” e “sereias” pela mídia esportiva, que tem explorado mais sua sensualidade e beleza do que sua capacidade atlética (ROMERO, 2004; SOUZA, KNIJNIK, 2007; DEVIDE, LIMA, RODRIGUES, BATISTA, 2008; GOMES, SILVA, QUEIRÓS, 2008), passam a ancorar características até então só associadas aos homens: combatividade, competividade, raça, vigor, força, vitória, potência, superação, modificando as representações sociais sobre a sua participação no esporte.

Importante se faz frisar que tal evolução não tem se dado no mesmo ritmo em outros espaços do esporte, como o jornalismo esportivo, a administração esportiva, a gestão esportiva e o treinamento esportivo (MOURÃO, GOMES, 2004; OLIVEIRA, 2004). Tais posições de comando ainda são associadas à masculinidade e apresentam pouca representatividade feminina. Outras iniciativas são necessárias para que o equilíbrio na participação de homens e mulheres como atletas no esporte olímpico, também se dêem em outras áreas do esporte.

Um abraço a todos/as que como eu, hoje, torceu pelo Brasil e pelas nossas mulheres!

 

DEVIDE, F. P. Gênero e Mulheres no Esporte: História das Mulheres nos Jogos Olímpicos Modernos. Ijuí: Unijuí, 2005.

DEVIDE, F. P.; LIMA, F. R.; RODRIGUES, F. S.; BATISTA, R. Produção de sentidos sobre a visibilidade de mulheres atletas no jornalismo esportivo: interpretações a partir do caderno de esporte do jornal ‘O Globo’. In.: ROMERO, E.; PEREIRA, E. G.B. (Orgs.). Universo do Corpo: masculinidades e feminilidades. Rio de Janeiro: Shape/Faperj, 2008.

DEVIDE, F. P. Histórias das Mulheres na Natação Feminina Brasileira no Século XX: das adequações às resistências sociais. Tese de Doutorado, Rio de Janeiro, UGF, 2003. 347p.

DEVIDE, F. P. A natação como elemento da cultura física feminina no início do século XX: construindo corpos saudáveis, belos e graciosos. Movimento, Porto Alegre, v. 11, n. 2, p. 125-144, 2004.

DUNNING, E. O desporto como uma área masculina reservada: notas sobre os fundamentos sociais na identidade masculina e as suas transformações. In. ELIAS, N.; DUNNING, E. A busca da excitação. Lisboa: Difel, 1992.

GOMES, P. B.; SILVA, P.; QUEIRÓS, P. Distintos registros sobre o corpo feminino: beleza, desporto e mídia. In.: ROMERO, E.; PEREIRA, E. G.B. (Orgs.). Universo do Corpo: masculinidades e feminilidades. Rio de Janeiro: Shape/Faperj, 2008.

LUZ JÚNIOR, A. Educação Física e Gênero: olhares em cena. São Luis: Imprensa Universitária UFMA/CORSUP, 2003.

MOURÃO, L.; GOMES, E. M. de P. Mulheres na administração esportiva brasileira: uma trajetória em curso. In.: SIMÕES, A. C.; KNIJNIK, J. D. (0rgs.). O mundo psicossocial da mulher no esporte: comportamento, gênero e desempenho, 2004. p. 305-318.

OLIVEIRA, G. A. S. de. Mulheres enfrentando o desafio da inserção, ascensão e permanência no comando de equipes esportivas de alto nível. In.: SIMÕES, A. C.; KNIJNIK, J. D. (Orgs.). O mundo psicossocial da mulher no esporte: comportamento, gênero e desempenho, 2004.

ROMERO, E. A (In)Visibilidade da mulher atleta no jornalismo esportivo do Rio de Janeiro. In.:SIMÕES, A. C.; KNIJNIK, J. D. (Orgs.). O mundo psicossocial da mulher no esporte: comportamento, gênero e desempenho, 2004.

SOUZA, J. S.; Knijnik, j.d. A mulher invisível: gênero e esporte em um dos maiores jornais diários do Brasil. Revista brasileira de Educação Física, v. 21, n.1, p.35-48, 2007.



[1] http://www.cob.org.br/home/home.asp



Escrito por Fabiano Pries Devide às 13h21
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Divulgo abaixo os resumos dos trabalhos [pôsters e comunicações orais] apresentadas por pesquisadores do Grupo de Pesquisa "Gênero na Educação Física e no Desporto" (CNPq), liderado por mim, no II SEMINÁRIO INTERNACIONAL: Enfoques Feministas e o Século XXI: Feminismo e Universidade na América Latina - VI ENCONTRO DA REDE BRASILEIRA DE ESTUDOS E PESQUISAS FEMINISTAS – REDEFEM - II ENCONTRO INTERNACIONAL POLÍTICA E FEMINISMO, realizado de 10 a 13 de Junho de 2008, na Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG. Os textos completos dos trabalhos podem ser conferidos no CR-rom do evento. Saudações acadêmicas a todos!

 

ESTUDOS DE GÊNERO NA EDUCAÇÃO FÍSICA BRASILEIRA: CONSTRUINDO UM QUADRO TEÓRICO

Renato Callado Ferreira (PGCAF-Universo, PUC/RJ); Emerson SaintClair (PGCAF-Universo; UNIG/RJ; Luiz Carlos Pessoa Nery (PGCAF-Universo); Elza Rosa da Silva (PGCAF–Universo, SME/RJ, SEE/RJ); Fabiano Pries Devide (Grupo de Pesquisa ‘Gênero na Educação Física e no Desporto’ - PGCAF-Universo, Unisuam/RJ)

 

O estudo é resultado da disciplina Tópicos Especiais em Educação Física, Cultura e Sociedade: Estudos de Gênero na Educação Física Brasileira, do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Atividade Física (PGCAF-Universo). Visa responder ao seguinte problema: Como se configura o quadro teórico atual dos estudos de gênero na Educação Física (EF) no Brasil? Os objetivos são: i) identificar correntes teóricas utilizadas nos estudos; ii) refletir sobre as temáticas recorrentes; iii) apontar lacunas; iv) mapear grupos de pesquisa sobre gênero na EF cadastrados no Diretório de Grupos de Pesquisa (CNPq), assim como intelectuais dessa área temática na EF (Portal da Inovação/Ministério de Ciência e Tecnologia/MCT); e v) enumerar as principais obras (livros) sobre Gênero e EF publicadas no país. A pesquisa apresenta caráter descritivo e documental, utilizando como fontes, dados da produção teórica da EF, representada por livros, artigos, dissertações, teses e bases de dados. Os resultados permitem afirmar que os Estudos de Gênero na EF iniciam no fim da década de 1980, ganhando expressão na década de 1990, com a consolidação de linhas de pesquisa em programas de pós-graduação stricto sensu, teses, dissertações, livros e artigos (Goellner, 2001). Tais estudos na EF podem ser organizados em três correntes predominantes: marxista, culturalista e pós-estruturalista (Júnior, 2003), dentre as quais as duas últimas têm predominado, utilizando como teóricas centrais Scott (1995, 2005), Butler (2003) e Louro (2001a, 2001b, 2004). Dentre as temáticas recorrentes, destacamos: a) Metodologias de ensino na EF escolar (aulas mistas, separadas por sexo, co-educativas); b) Estereótipos relacionados às práticas corporais na EF no Esporte; c) Mecanismos de inclusão, exclusão e auto-exclusão na EF escolar; História das Mulheres no Desporto; Representações Sociais de Gênero na mídia esportiva; Mulheres em posições de comando no Desporto; e Desporto e Identidades de Gênero (masculinidades e feminilidades). Entretanto, tais estudos ainda apresentam uma abordagem focalizada nas mulheres, com lacunas de ordem epistemológica, analítica, conceitual e política (Goellner, 2005). Foi possível identificar na literatura da EF, dez livros publicados sobre a temática, sendo pioneira a obra “Corpo, Mulher e Sociedade”, organizada por Elaine Romero (1995). O mapeamento no Diretório de Grupos de Pesquisa/CNPq e no Portal da Inovação/MCT identificou a existência de grupos consolidados na EF e intelectuais com doutoramento na área Gênero na interface com EF escolar, Desporto, Lazer e História das Mulheres.

 

Referências básicas:

BUTLER, J. Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

GOELLNER, S. V. Gênero, Educação Física e esportes. In: VOTRE, S. B. (org.). Imaginário e representações sociais em Educação Física, esporte e lazer. Rio de Janeiro: UGF, 2001. p. 215-227.

GOELLNER, S. V. Gênero. In: GONZÁLEZ, F. J.; FENSTERSEIFER, P. E. Dicionário Crítico de Educação Física. Ijuí: Unijuí, 2005. p. 207-209.

JÚNIOR, A. Educação Física e Gênero: olhares em cena. São Luís: Imprensa UFMA/CORSUP, 2003.

ROMERO, E. Corpo, Mulher e Sociedade. Campinas: Papirus, 1995.

LOURO, G. L. Gênero, Sexualidade e Educação: uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis: Vozes, 2001.

SCOTT, J. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade. Porto Alegre. v. 20, n. 2, p. 71-99, 1995.

 

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE LICENCIANDOS EM EDUCAÇÃO FÍSICA SOBRE AS QUESTÕES DE GÊNERO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

 Ilza Pereira Silva (PIBIC/Unisuam/RJ); Morjana Britto Peçanha (PIBIC/Unisuam/RJ); Fabiano Pries Devide (Unisuam/RJ; PGCAF/Universo/RJ)

 

Os Estudos de gênero na Educação Física (EF) na última década refletem a emergência desta categoria na EF (Goellner, 2001, 2005; Luz Júnior, 2003). No que tange à temática da Educação Física escolar (EFe), área de atuação dos futuros formandos do Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam), os estudos têm focalizado: i) aplicabilidade de propostas pedagógicas co-educativas (Saraiva, 1999; Gomes, Silva & Queirós, 2004); ii) representações sociais de docentes e discentes sobre as aulas Mistas e Separadas por Sexo (Abreu, 1995; Louzada, Devide, 2006; Louzada, Votre, Devide, 2007); iii) mecanismos de inclusão e exclusão relacionados ao gênero (Sousa, Altmann, 1999; Altmann, 2002; Pereira, 2004; Lima, Batista Rodrigues & Devide, 2005; Andrade, Devide, 2006; Duarte, Mourão, 2007); e iv) a construção de identidades de gênero pela cultura corporal (Sayão, 2002). Entretanto, o abismo entre a produção acadêmica e a aplicabilidade de propostas concretas na educação básica, gera a necessidade de investigações sobre como esta temática tem circulado nos cursos de EF (Romero, 1990; Saraiva, 2002; Luz Júnior, 2003), aprimorando a formação profissional com foco na inclusão, especificamente de gênero. Este Estudo de Caso, realizado na Unisuam, apresenta caráter qualitativo e descritivo (Posselon, 2004). Visa responder ao Problema: Quais as representações sociais de licenciandos em EF sobre as questões de Gênero na EFe? O objetivo é identificar os elementos constituintes das representações sociais desses atores sociais sobre as questões de gênero na EFe. Como percurso metodológico, utilizamos a pesquisa documental e a entrevista estruturada: i) análise da grade curricular e ementas do curso de Licenciatura em EF da Unisuam; ii) entrevistas com os discentes concluintes do curso. Os referenciais teórico-metodológicos para interpretação dos dados são: Teoria de Gênero (Scott, 1995, 2005; Louro, 2001); Análise de Conteúdo (Bardin, 1995); e Teoria das Representações Sociais (Sá, 1998; Spink, 1995; Moscovici, 1978, 2003). Os resultados permitem afirmar que as questões de gênero permanecem à margem na formação profissional em EF, não se constituindo numa temática circulante, que auxilie o futuro docente a problematizar as relações de gênero no âmbito das aulas de EFe, visando a inclusão.

 

Bibliografia básica:

BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1995.

LUZ JÚNIOR, A. Educação Física e Gênero: olhares em cena. São Luis: Imprensa Universitária UFMA/CORSUP, 2003.

LOURO, G. L. Gênero, Sexualidade e Educação: uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis: Vozes, 2001.

MOSCOVICI, S. A representação social da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

ROMERO, E. Estereótipos masculinos e femininos em professores de educação física. 1990. Tese (Doutorado em Psicologia) - Programa de Pós-graduação em Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1990.

SARAIVA, M. do C. Por que investigar as questões de gênero no âmbito da Educação Física, Esporte e Lazer? Motrivivência. ano XIII, n. 19, p. 79-85, 2002.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade. Porto Alegre. v. 20, n. 2, p. 71-99, 1995.

 

O EXERCÍCIO FÍSICO COMO ELEMENTO NA (RE)CONSTRUÇÃO DAS REPRESENTAÇÕES SOBRE A MASCULINIDADE

Renata Silva Batista (PIBIC/Unisuam/RJ); Fabiano Pries Devide (Unisuam/RJ; PGCAF/Universo/RJ).

 

A produção acadêmica sobre Gênero reflete a emergência desta nova temática na Educação Física brasileira (Romero, 1995, 1997; Votre, 1996; Saraiva, 1999; Simões, 2003; Júnior, 2003; Goellner, 2003; Simões e Knijnik, 2004; Devide, 2005). Entretanto, os estudos sobre a masculinidade na interface com o gênero são escassos (Fraga, 2000; Gonçalves, Munarin, Gonçalves, 2002), em comparação com a América do Norte e Europa (Dunning, 1992; Messner, 1994; Pronger, 1992; Dunning, Maguire, 1997). Pressupõe-se que o exercício físico tem sido elemento importante na construção da masculinidade no homem contemporâneo, a partir das modificações que proporciona na saúde, notadamente, na estética corporal, através de anatomias masculinas contemporâneas. O estudo interpreta a mídia dirigida ao público masculino como via de construção de representações sobre a masculinidade ancoradas no corpo. Tem por objetivo investigar o papel do exercício físico na construção das representações sobre a masculinidade multifacetada e em crise (Nolasco, 1995), utilizando o gênero como categoria de análise (Scott, 1995). O corpus documental foi constituído pelas doze primeiras edições da Revista masculina Men’s Health. A análise dos dados organizou-se nas etapas: pré-análise, com leitura exploratória das edições; análise iconográfica das capas das edições; e análise de conteúdo das matérias sobre exercício físico. Os referenciais teórico-metodológicos para interpretação das fontes foram: Análise de Conteúdo (Bardin, 1995) e a Iconografia (Eco, 1997; Kossoy, 2001; Bauer, Gaskell, 2004). Os resultados apontam que o periódico é dirigido ao público masculino, adulto, branco, heterossexual e economicamente favorecido. O elemento icônico central das capas é o corpo masculino ideal, cuja musculatura é a protagonista de uma anatomia de consumo (Fraga, 2000); enquanto as manchetes sobre exercícios físicos destacam-se entre os elementos textuais. A análise do conteúdo interno permitiu a construção de duas categorias centrais: Masculinidade Hegemônica e Outras Masculinidades (Connel, 1995), identificadas em matérias sobre: exercício físico, sexo, saúde, nutrição, trabalho, moda e beleza. A análise do conteúdo das matérias sobre exercício físico - com destaque para a modalidade de musculação - resultou na construção de subcategorias relacionadas à Masculinidade Hegemônica: aptidão física, competitividade, machismo, heterossexualidade; e às Outras Masculinidades: estética. Conclui-se que no contexto da Men’s Health, o exercício físico é um elemento central na construção da masculinidade, ancorando elementos da Masculinidade Hegemônica. Entretanto, outras seções do periódico apresentam elementos constituintes da configuração de outras masculinidades.

 

Bibliografia básica:

CONNELL, R. W. Políticas da masculinidade. Educação & Realidade. Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 185-206, 1995.

DUNNING, E.; MAGUIRE, J. As relações entre os sexos no esporte. Estudos Feministas. IFCS/UFRJ. Rio de Janeiro, v. 5, n. 2, p. 312-348, 1997.

FRAGA, A B. Anatomias de consumo: investimentos na musculatura masculina. Porto Alegre, Educação e Realidade. v. 25, n. 2, p. 135-150, 2000.

MESSNER, M. A. Power at Play: sports and the problem of masculinity. Boston: Beacon Press, 1992.

NOLASCO, S. (org.). A desconstrução do masculino. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.

PRONGER, B. The arena of masculinity: sports, homosexuality, and the meaning of sex. New York: St. Martin´s Press, 1992.

SCOTT, J. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade. Porto Alegre. v. 20, n. 2, p. 71-99, 1995.



Escrito por Prof. Dr. Fabiano Pries Devide às 23h56
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É com alegria que divulgo a mais nova publicação na área dos Estudos de Gênero na Educação Física brasileira. Organizada pela professora Dra. Elaine Romero e pelo Prof. Ms. Erik Pereira, "Universo do Corpo: masculinidades e feminilidades" é uma obra publicada numa parceria entre Editora Shape e Faperj. O livro é uma coletânea que reúne resultados de pesquisas de autores/as nacionais e internacionais, que têm produzido conhecimento na área dos Estudos de Gênero em diferentes temáticas, como relações sociais e práticas acadêmicas, masculinidades, feminilidades, corpo e estética, esporte e mídia. Vale conferir!



Escrito por Prof. Dr. Fabiano Pries Devide às 23h56
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Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero

Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero

O Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero - concurso de redações e artigos científicos na área das relações de gênero, mulheres e feminismos, instituído em 2005, tem como objetivos estimular e fortalecer a pesquisa no campo dos estudos das relações de gênero, mulheres e feminismos em suas intersecções com as dimensões de classe social, geração, raça, etnia, sexualidade. O Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero visa contribuir para a construção de um ambiente democrático de discussão nas escolas e universidades de todo
o país sobre as desigualdades existentes entre mulheres e homens e incentivar os alunos e alunas a produzirem textos sobre tais temas. O Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero integra o Programa Mulher e Ciência, criado com o objetivo de estimular a produção científica e a reflexão acerca das relações de gênero no País e promover a participação das
mulheres no campo das ciências e carreiras acadêmicas. Integram ainda o Programa Mulher e Ciência: editais de pesquisa do CNPq e Encontros Nacionais de Núcleos e Grupos de pesquisa Gênero e Ciências. Em seu terceiro ano de existência, o Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero já atingiu um total 4.400 participantes, dos quais 29% do sexo masculino e 71% do sexo feminino. 42% dos participantes são da região Sudeste, 20% do Nordeste do país, 18% do Sul, 16% do Centro-Oeste e 4% da região Norte. Tais números são a expressão do crescente interesse que o Prêmio vem despertando nas escolas e universidades do país. O Prêmio é atribuído a três categorias de participantes: Estudantes do Ensino Médio, Estudantes de Graduação e Graduado (a/s). Na categoria Estudante do Ensino Médio podem concorrer alunas e alunos que estejam regularmente matriculados(as) em escolas públicas ou privadas, inclusive em escolas técnicas de nível médio, autorizadas pelo MEC. É premiada a melhor redação de cada uma das Unidades da Federação, dentre as quais são selecionadas as três melhores redações em nível nacional. Na categoria Estudante de Graduação podem concorrer alunas e alunos que estejam regularmente matriculados em cursos de graduação reconhecidos pelo MEC. Na categoria Graduado(a) podem concorrer profissionais graduadas/os em diferentes áreas ou alunas e alunos graduadas (os) que estejam regularmente matriculados em cursos de mestrado e doutorado, reconhecidos pela CAPES.

Participe, divulgue!
4o Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero - 2008
Inscrições de 01/agosto a 31/outubro de 2008
www.igualdadedegenero.cnpq.br <http://www.igualdadedegenero.cnpq.br>

Maria Margaret Lopes - Assessora Técnica/Sub-secretaria de Articulação Institucional
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres - Presidência da República



Escrito por Prof. Dr. Fabiano Pries Devide às 01h21
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Revista Estudos Feministas - UFSC

A Revista Estudos Feministas (REF) é um periódico indexado, interdisciplinar, de circulação nacional e internacional. Publica artigos, ensaios e resenhas, ampliando o debate acadêmico dos estudos feministas e de gênero. O primeiro exemplar foi publicado em 1992. Desde então a REF tornou-se uma referência obrigatória para todas(os) que trabalham no campo dos estudos de gênero e no feminismo.

http://www.cfh.ufsc.br/~ref/



Escrito por Prof. Dr. Fabiano Pries Devide às 18h06
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http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 12 - N° 118 - Marzo de 2008

Futebol como conteúdo generificado: uma possibilidade
para rediscutir as relações de gênero

 

*Lda. em Educação Física – Unisuam/RJ

**Unisuam/RJ-PGCAF/Universo

(Brasil)

Viviane Cristina Alves Pereira*

Prof. Dr. Fabiano Pries Devide**

vi.cris@globo.com

 

 

 

Resumo

          O objetivo deste trabalho é apresentar o futebol como conteúdo de ensino generificado para estimular a reflexão sobre as desigualdades de gênero na Educação Física Escolar. O presente estudo tem caráter descritivo e bibliográfico. Através de uma reflexão sobre as relações entre gênero, futebol, co-educação e Educação Física Escolar, observamos que o processo de transmissão cultural das representações de gênero reforça os preconceitos, colaborando para que situações de exclusão e desigualdades aconteçam nas aulas de Educação Física. O uso do futebol enquanto um conteúdo generificado pode ser uma das vias para educar os discentes a lidarem com as diferenças de gênero, o que poderá ser efetuado com a aplicação de uma prática pedagógica co-educativa e crítica na EFe, levando-se em consideração o contexto histórico e social ao qual se insere essa problemática.

          Unitermos: Educação Física escolar. Futebol. Co-educação. Gênero.

É com prazer que compartilho a satisfação da publicação do artigo acima, com uma de minhas orientandas de TCC do semestre passado, a professora Viviane Cristina Pereira, na revista digital argentina EFDesportes, de Buenos Aires (Año 12, n. 118, marzo 2008).

Link > http://www.efdeportes.com/efd118/futebol-como-conteudo-generificado.htm



Escrito por Prof. Dr. Fabiano Pries Devide às 10h17
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CADERNOS PAGU - Unicamp/SP

 

O Núcleo de Estudos de Gênero  Pagu, da Unicamp,  produz pesquisas em torno da problemática  de gênero, reunindo intelectuais que desenvolvem estudos  no âmbito de diferentes áreas, nas linhas de pesquisa: sexualidade, história das ciências, curso da vida, educação, distribuição de justiça, mídia, teorias feministas e perspectivas disciplinares. O Núcleo tem grupos de discussão e biblioteca eletrônica que pode ser consultada on-line.

http://www.unicamp.br/pagu/



Escrito por Prof. Dr. Fabiano Pries Devide às 09h58
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DISCURSO DE PROF. PARANINFIO - UNISUAM 2007.1

Hoje tenho a honra de participar da formatura da turma 2007.2, onde fui convidado para ser professor paraninfo. Gostaria de usar o blog para dividir o discurso que produzi com os visitantes. Abraço!

Ilmo Sr. Reitor, coordenação do curso de Licenciatura em Educação Física, professores homenageados, pais e amigos presentes, caros/as formandos, bom dia.

 

Foi com muita alegria que recebi o convite desta turma para ser paraninfo (aliás vocês inauguraram essa oportunidade em minha caminhada acadêmica). Desde já quero deixar manifesto o meu agradecimento a todos/as vocês da turma 2007.2, sobretudo por saber que essa escolha não é simples, no contexto de uma trajetória na qual tivemos tantos docentes que nos deixaram marcas importantes para nos tornarmos educadores. É por essa via que quero iniciar minhas palavras: gostaria que me interpretassem como um porta voz desses muitos colegas que ajudaram a construir os profissionais que hoje se reúnem para comemorar mais uma etapa das suas vidas.

 

Inicialmente foi muito difícil construir um discurso para esse momento... Tentei lembrar-me de quando fui orador de minha turma, há mais de uma década... Acabei encontrando aquele discurso e reli as coisas que eu disse naquela ocasião... Fiquei feliz de observar que o tempo nos transforma – lapidando-nos, nos permitindo “ler” com mais acuidade a realidade complexa na qual vivemos e iremos atuar. Contudo, se somos engajados, o tempo não modifica nossos ideais de sociedade, educação e Educação Física. Considero esse um dos maiores desafios do profissional de educação hoje no Brasil: manter-se fiel aos seus ideais e não esmorecer diante do cenário catastrófico com o qual se depara na prática pedagógica cotidiana.

 

Num desses dias em que fiquei pensando no que dizer aqui, peguei o convite que a comissão de formatura me entregou em mãos e folheei-o com calma, mas já na primeira página, parei e li com atenção a mensagem inicial, que diz: “A partir de agora nos sentimos mais completos... Dentro em breve estaremos com um diploma nas mãos concretizando nossos sonhos e os nossos ideais...”.

 

Bingo! - Eu pensei - É por aqui que irei começar minha reflexão. Certamente este momento significa mais um passo na caminhada de vocês, mas nãos se considerem “completos” como educadores ou tendo realizado “o sonho”. Intepretem esse momento como o primeiro, aquele que inaugura um processo sem fim de aperfeiçoamento profissional e de busca da realização de sonhos. Quero enfatizar: “s o n h o s”, no plural.

 

É o que estamos precisando na educação brasileira, sobretudo naquelas escolas cujos bancos são frequentados pela classe trabalhadora, que por muito tempo tem sido mantida à margem de uma educação de qualidade, tornando-se alienada de sua própria condição de classe e estando à mercê da manipulação política e da possibilidade de exercer a própria cidadania.

 

Não precisamos de mais docentes que completam o ensino superior e se julgam “prontos” para lecionarem, “donos do saber”; mas de educadores que estejam de prontidão para continuarem aprendendo, ao longo se sua trajetória profissional, a partir da relação com os seus alunos e da reflexão constante sobre a sua prática pedagógica, sempre ancorada na realidade social na qual lecionam.

 

Realidade que a Educação Física escolar, como tanto discutimos em nossas aulas, têm “fechado os olhos” ao se negar transmitir um conhecimento relacionado à Cultura Corporal, que ultrapasse o gesto motor e tenha significado para o mundo vivido das crianças e adolescentes, que ficam mais de uma década sob nossa supervisão, participando das aulas de Educação Física escolar.

 

Hoje, vocês, formandos, têm uma missão a cumprir: transformar os conhecimentos adquiridos na graduação nas bases para a construção de uma prática pedagógica comprometida com a mudança social de uma realidade desigual na qual nossa sociedade se encontra. Cada um deve estar ciente do papel que a educação, numa ótica crítica e transformadora, pode cumprir. Nesse sentido, receberam conhecimentos para interpretar a realidade concreta na qual a Educação Física irá atuar em prol da formação de um “cidadão emancipado”, reflexivo, interventor e questionador.

 

Cada um tem consciência que para alcançar esse objetivo, deverá ensinar “pelo movimento” e não continuar a apresentar uma prática analítica, reprodutora, mecânica e alienante, que historicamente nossa área desenvolveu nas escolas, a partir da influência dos interesses médicos, militares e esportivos. Há um desafio a cumprir: a reversão de um quadro no qual o docente de Educação Física é representado como ‘fabricante’ de atletas, disciplinador, organizador de atividades e eventos escolares, enfim, um analfabeto político, em prol da construção da imagem de um profissional que assume um importante compromisso na engrenagem social: um compromisso com a mudança.

 

Após cerca de mais de duas décadas, podemos afirmar que a Educação Física brasileira está construindo sua autonomia para produzir um conhecimento científico, teoricamente ancorado na realidade social; porém, ainda caminha longe da legitimidade que outros componentes curriculares já conquistaram na escola. Exemplo dessa autonomia são as inúmeras propostas pedagógicas consolidadas e intelectuais de expressão internacional que vocês conheceram com seus professores/as ao longo deste curso.

 

Contudo, o conhecimento produzido por esses intelectuais ainda trilha vias que não vêm convergindo com os muros das escolas e de seus docentes. Ainda encontramos um abismo entre a realidade produção acadêmica de nossa área, que ocorre nos mais de vinte programas de mestrado e doutorado no país; e a prática pedagógica dos docentes que estão vivenciando a realidade do ensino da Educação Física nas escolas.

 

Sendo assim, estejam cientes que no curto período de tempo que cada um passou pela grade curricular dessa universidade, devem ter aproveitado o máximo de seus professores/as. Espero que muitos de vocês tenham interrompido aulas para questionarem os professores, para refletirem idéias de autores/as, para relatarem experiências pessoais que enriqueceram nossas aulas, que nos tenham procurado solicitando interesse maior na leitura de outros textos, além daquele que solicitamos. Esses alunos/as nos trazem uma satisfação enorme no processo de ensino e aprendizagem. Nesse momento percebemos que “atingimos o alvo”, despertamos o desejo de aprender, de buscar o conhecimento, característica fundamental no proceso de ensino; processo que vocês começarão, de fato, a vivenciar agora.

 

Que tenham a plena consciência de sua função como educadores físicos. Que não esmoreçam diante das inúmeras dificuldades que enfrentarão devido à nossa história enquanto disciplina escolar. Que saibam argumentar a relevância de nossa existência no currículo e justificar uma prática pedagógica densamente construída a partir dos conhecimentos teóricos e práticos que aqui receberam.

 

Hoje, neste palco, finda uma trilha de lutas, alegrias, confissões, noites de estudo, descobertas, ansiedades, concessões, mas principalmente aprendizagem. Aqui se inicia uma longa caminhada, que será traçada singularmente por cada um de vocês, de acordo com o que acreditam e buscam enquanto projeto de sociedade, educação, Educação Física. De aprendizes passam a mestres. Boa sorte em cada passo dessa caminhada e que nunca se esqueçam da responsabilidade de ser um educador num país como o Brasil.

 

Mais uma vez obrigado pelo convite para estar aqui presente, nesse momento importante na vida de cada um de vocês. Que eu possa reencontrá-los em outras salas de aula, em breve. Obrigado.

 



Escrito por Prof. Dr. Fabiano Pries Devide às 07h06
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CAPES

Para aqueles/as que buscam o processo de seleção para um programa de mestrado ou doutorado, sugiro visitar a página da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES).

No link "Qualis", pode-se encontrar informações sobre a avaliação dos cursos recomentados, assim como a avaliação dos periódicos de cada área.

Avaliação dos Cursos > http://www.capes.gov.br/avaliacao/recomendados.html

Avaliação dos Periódicos >  http://qualis.capes.gov.br/webqualis/

Saudações!



Escrito por Prof. Dr. Fabiano Pries Devide às 11h50
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Amantes das Piscinas

Para os amantes da Natação!

Swim It Up! O site da Natação Competitiva, organizado por Julian Romero: http://www.swimitup.com.br/

Associação Brasileira de Masters de Natação (ABMN), presidida atualmente pelo Prof. Ms. Waldir Mendes Ramos: http://www.abmn.org.br/index.asp

Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA): http://www.cbda.org.br/

Federação Internacional de Natação Amadora (FINA): http://www.fina.org/

Bom fim de semana a todos/as!

 



Escrito por Prof. Dr. Fabiano Pries Devide às 11h16
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